O Partido Comunista Português (PCP) pediu esta sexta-feira ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para esclarecer a relação de amizade que mantém com o presidente do BES Investimento (BESI), José Maria Ricciardi.

A pergunta do PCP integra um leque de questões entregues na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES) a personalidades como o primeiro-ministro, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, o antigo comissário europeu Joaquin Almunia e aos representantes da troika em Portugal, entre outros.

«José Maria Ricciardi disse em público, depois de ser interpelado pela comunicação social sobre o porquê de ter jantado na sua mesa no Fórum Empresarial do Algarve, em 6 de outubro de 2014, que era seu amigo pessoal. Este seu amigo nunca lhe falou na situação que se vivia no Grupo, quando já por várias vezes afirmou ter entrado em confronto com Ricardo Salgado, muito antes da resolução do BES?», questionam os comunistas no bloco de perguntas endereçado ao primeiro-ministro.

«Qual a sua relação com José Maria Ricciardi, membro de um dos cinco ramos da família, com fortes responsabilidades na gestão do Grupo e em particular do BES?», interrogam ainda os parlamentares do PCP na comissão de inquérito: Miguel Tiago, Bruno Dias e Paulo Sá, este membro suplente.

O PCP quer ainda que Passos Coelho explique por escrito desde que momento «se iniciaram contactos, formais ou informais, com membros do Governo sobre a situação do BES» e do ramo não financeiro do grupo, geralmente designado por GES.

«É verdade que foi contactado por Ricardo Salgado, que este lhe leu uma carta e que o primeiro-ministro a devolveu? Qual era o conteúdo da mensagem?», questionam também.

A Mario Draghi, presidente do BCE, os parlamentares comunistas perguntam quando é que teve conhecimento da situação que se vivia no «BES em particular e no GES em geral» e se o representante do BCE na troika, antes desta sair de Portugal, «transmitiu a situação que se vivia no terceiro maior banco português».

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».