O deputado do PS Nuno Sá disse esta sexta-feira que o primeiro-ministro tem «problemas em lidar com os números», ao comentar os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), esclarecendo que os socialistas ficam satisfeitos com sinais positivos da economia.

«O primeiro-ministro, além de desconhecer a realidade, tem muitos problemas em lidar e interpretar com rigor as estatísticas, os números. O INE publicou dados que apontam e desmentem categoricamente o primeiro-ministro, ou seja, Portugal apenas criou em termos líquidos, durante o ano de 2013 - e todos os seus três trimestres conhecidos -, 21.800 postos de trabalho», disse, referindo-se à mensagem de boas festas de Passos Coelho, na qual foram referidos 120 mil postos de trabalho.

Segundo o INE, o défice orçamental atingiu os 5,9 por cento nos primeiros três trimestres do ano, uma redução de 0,2 pontos percentuais quando comparado com o défice registado no final de setembro de 2012.

«No terceiro trimestre de 2013, o défice ficará muito perto dos seis por cento, muito longe da meta que o Governo pretendia, mesmo depois de rever essa meta. O défice muito perto dos seis por cento. Em termos de contabilidade pública, temos um défice de cerca de 7.100 mil milhões de euros, muito longe também dos dados que a Direção-Geral do Orçamento apontava, cerca de 5,5 mil milhões de euros», criticou.

Nas Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional hoje publicadas, o INE indica que o défice em contabilidade nacional, que conta para Bruxelas no apuramento do défice anual, atingiu os 7.165,6 milhões de euros no final dos três primeiros trimestres deste ano, menos 396 milhões de euros que o que registava nos primeiros três meses de 2012, altura em que o défice se fixava nos 6,1 por cento do PIB.

«Até ao final do ano, a continuar assim, o défice que Portugal poderá registar é de cerca de seis por cento. É preciso mudar de rumo porque com as políticas de PSD/CDS-PP não estamos a resolver os nossos problemas de finanças públicas, mas também não estamos a fazer uma consolidação orçamental que permita a competitividade, o crescimento da economia e a criação de emprego», continuou.

Nuno Sá, depois de o PSD ter afirmado que os socialistas estão alinhados com a «extrema esquerda radical», parecendo «zangados» sempre que há indicadores económicos positivos, defendeu o contrário.

«O PS fica satisfeito sempre que há sinais de desenvolvimento económico e consequentemente desenvolvimento social e de menos dificuldades e sacrifícios para os portugueses», concluiu.