O PS acusou esta segunda-feira o PSD de estar “muito incomodado com os resultados positivos da governação”, considerando que a conferência de imprensa desta manhã com críticas ao executivo sobre o incêndio de Monchique foi uma “prova de vida”.

Em declarações à agência Lusa, a deputada do PS Susana Amador reagiu às declarações de hoje de manhã do vice-presidente do PSD David Justino que, em conferência de imprensa, defendeu que houve falta de coordenação no combate ao incêndio de Monchique, recomendando ao executivo que deixe de privilegiar as estratégias de comunicação e de fazer campanha eleitoral.

Nós interpretamos esta conferência de imprensa desta manhã mais como uma prova de vida do PSD, que é hoje um partido que se encontra sem estratégia, dividido, fragilizado, longe do apoio dos portugueses e que os portugueses também não esqueçam que foi o partido que fez cortes brutais nas funções do Estado e que fez desinvestimentos muito claros na Proteção Civil, que com o PSD chegou a cair 30%, a maior queda da Europa”, acusou.

Na opinião de Susana Amador, “o PSD está acima de tudo muito incomodado com os resultados da governação, com os resultados positivos desta mudança de políticas e com o nível de adesão popular a este Governo”.

Queremos reiterar que o Governo e o PS estão antes de mais concentrados na concretização de uma agenda de desenvolvimento, de bem estar, de crescimento económico e de quebra do ciclo de empobrecimento. A verdade é que essa mudança de política tem tido resultados muito satisfatórios”, sublinhou.

O PSD quando “fala de falta de humildade”, continuou a deputada do PS, “deveria olhar para si próprio porque, com os cortes brutais que fez e as quebras de investimento que fez, deveria fazer um pouco de introspeção e ser um pouco mais humilde”.

“Ziguezagues” sobre observatório

Os socialistas criticaram ainda os “ziguezagues” do PSD sobre o Observatório Técnico Independente para os incêndios, considerando estranho que o partido proponente esteja disponível para mudar a natureza da entidade menos de um mês depois da sua aprovação.

Questionada pela agência Lusa sobre a disponibilidade do PS para acompanhar esta alteração – os socialistas votaram contra este observatório aquando da sua aprovação em 18 de julho, no parlamento – a deputada do PS Susana Amador considerou “estranho que o partido proponente deste observatório ande aos ziguezagues”.

[O PSD] aprovou o observatório no dia 18, o PS na altura manifestou-se através do seu voto contra. Agora o próprio partido proponente já entende que pode mudar a natureza do observatório”, criticou.

Para Susana Amador, este tema “revela mais uma vez um partido que está à deriva”, uma vez que o PSD apresenta um projeto “e, logo a seguir, diz que o pode alterar e que pode mudar a natureza já depois de ter sido promulgado e ter-se batido tanto por esse projeto de lei”.

É um ziguezague que não se compreende e que só revela a dualidade em que vive o PSD presentemente”, insistiu.

Da parte do PS, como o “próprio Presidente da República referiu”, quer o observatório, quer a comissão permanente a criar “podem ser complementares”.

É isso que avaliaremos no início da sessão legislativa”, disse, garantido que “PS tem sempre total disponibilidade e abertura para melhorar todas as soluções legislativas”.