O líder da bancada do PS afirmou esta quarta-feira à agência Lusa que os socialistas estão disponíveis para viabilizar a proposta do PSD referente à criação de uma comissão técnica independente sobre as causas do incêndio de Pedrógão Grande.

O PS nada tem a opor a essa proposta", declarou Carlos César, dando assim um sinal político de que a comissão proposta pelo PSD deverá reunir apoio maioritário na Assembleia da República para avançar já.

Esta quarta-feira, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, escreveu aos presidentes de todas as bancadas desafiando-os para, em conferência de líderes, alcançarem um consenso urgente sobre o "modo de constituição e funcionamento" da Comissão Técnica Independente proposta pelos sociais-democratas na terça-feira.

Na carta, Luís Montenegro salienta que esta comissão, proposta pelo PSD para apurar o que se passou no incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande e que causou pelo menos 64 mortos, pede que esse consenso seja alcançado "de forma célere" para que a atividade da Comissão "possa iniciar-se sem perdas de tempo".

É nossa predisposição declarada que cada Grupo Parlamentar possa sugerir os especialistas de reconhecido mérito em condições para serem membros da Comissão. Nesse sentido, devemos em Conferência de Líderes, com caráter de urgência, acertar a composição, o funcionamento e os fins, da Comissão Técnica Independente que agora propomos", apelou.

Na terça-feira, em conferência de imprensa na sede nacional do partido, a vice-presidente do PSD Teresa Leal Coelho tinha já anunciado esta proposta, mas sem explicar a forma como poderia ser criada a comissão independente, tendo afastado que pudesse passar por uma comissão parlamentar.

CDS-PP apoia

O CDS-PP vai apoiar a proposta do PSD para que seja constituída uma comissão técnica independente para apurar as causas da tragédia de Pedrogão Grande, enquanto BE e PCP questionam, para já, a necessidade desta iniciativa.

Realçando que ainda não teve oportunidade de responder à carta enviada por Luís Montenegro, o líder parlamentar democrata-cristão, Nuno Magalhães, afirmou à Lusa que o CDS-PP “apoiará qualquer iniciativa com vista à descoberta do que realmente se passou nesta tragédia que chocou o país”.

Menos entusiasta, o Bloco de Esquerda disse não excluir a possibilidade de constituição desta comissão, mas considerou que “é cedo para decidir da sua necessidade”.

Nós compreendemos as dificuldades do PSD em perceber o que se está a passar, o PSD ainda não apresentou nenhuma proposta sobre as florestas”, criticou o deputado bloquista Carlos Matias, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Pelo PCP, o deputado João Ramos defendeu que a prioridade, no setor das florestas, “é concretizar”, considerando que “mais comissões, mais grupos de trabalho não é o prioritário”.

Eu não disse que não era preciso investigar, o que disse é que era preciso concretizar, o que for necessário apurar que se apure”, afirmou, remetendo um sentido de voto sobre a iniciativa do PSD em função de “uma proposta em concreto”.

Funeral de bombeiro

O Presidente da República vai estar presente ao final da tarde em Castanheira de Pera, distrito de Leiria, no funeral do bombeiro voluntário Gonçalo Correia, que morreu após combater o incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas em Pedrógão Grande, adiantou que irá assistir à cerimónia para homenagear as vítimas do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, mas também os bombeiros.

Portanto é simbólico, tal como foi simbólico este minuto de silêncio, é simbólica a presença no funeral”, acrescentou, referindo-se ao minuto de silêncio nacional que foi cumprido às 13:00 em memória das vítimas do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.

Também o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o líder parlamentar Carlos César, na qualidade de presidente do PS, estarão ao fim da tarde em Castanheira de Pera, no funeral do bombeiro Gonçalo da Conceição Correia, de 40 anos, que morreu nos Hospitais da Universidade de Coimbra após ter ficado gravemente ferido no combate ao incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria.

Presentes no funeral estarão também a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, tal como o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa e a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

Esta quarta-feira, o Parlamento aprova um voto de pesar pela morte das vítimas dos incêndios dos últimos dias no centro do país provocada pela “maior tragédia humana provocada por fogos florestais em Portugal”.

O voto, subscrito por todos os partidos e pelo presidente da Assembleia da República, foi lido pelo próprio Ferro Rodrigues no início de uma sessão solene de homenagem às vítimas dos incêndios que já fizeram 64 mortos e mais de 200 feridos desde sábado.

No texto, é transmitida “a mais profunda solidariedade” às famílias em luto e aos esforços o esforço “dos Bombeiros, da Proteção Civil, das Forças Armadas e das Forças e Serviços de Segurança, bem como das Autoridades Municipais e da Segurança Social no terreno”.

O grande incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande provocou pelo menos 64 mortos. Consumiu cerca de 26.000 hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.