O novo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmou esta sexta-feira, que o Estado vai ter de continuar a recorrer ao uso de meios privados no combate aos incêndios florestais. As declarações do ministro foram proferidas perante o olhar atento dos familiares das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande. 

“Nós continuaremos a ter de recorrer, de modo flexível, a recursos privados. Não vou esconder que isso terá de continuar, pelo menos, nos próximos anos a verificar-se”, afirmou o ministro no debate na Assembleia da República sobre o Relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de junho que fizeram pelo menos 64 mortos.

Questionado pelo PCP sobre o papel da Força Aérea no combate aos incêndios, o ministro não esclareceu ainda como será feita a gestão dos meios, mas deixou claro que os meios aéreos privados vão continuar a ser utilizados, acrescentado que os novos meios aéreos que a Força Aérea adquirir devem vir preparados para o combate as chamas.

“Nós temos de aliar, colocar os meios existentes hoje na Força Aérea ao serviço de combate aos incêndios florestais, isto é, os novos equipamentos a adquirir pela Força Aérea, designadamente o novo avião de transporte, deve vir já equipado os instrumentos que lhe permita também responder a incêndios florestais e equipamentos já hoje existentes, designadamente o avião C295 deve ser adaptado, de modo a que possa também acudir a incêndios florestais”, disse.

Já esta quinta-feira, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, tinha adiantado que os dois ministérios (MAI e Defesa) estavam a conversar e a preparar um despacho sobre os meios aéreos, considerando que nem todos os meios têm de ser públicos.

"A Administração Interna e a Defesa já estão a falar. Vamos, aliás, na próxima semana, em princípio, eu e o meu colega da Administração Interna, fazer um despacho onde se estabeleçam prazos, objetivos e critérios para [se avançar nesta matéria] o mais depressa possível", disse nos Açores.

No debate na Assembleia da República, o ministro da administração Interna deixou ainda algumas palavras para os bombeiros que ontem, depois de reunidos com o ministro, pediram que o governo esclarecesse “o que quer dos bombeiros”.

Na intervenção inicial, o ministro salientou “o papel único e insubstituível dos bombeiros”. Depois, ao ser interpelado pelo Bloco de Esquerda, os ministros destacou a componente profissional que deve ser atribuída aos bombeiros.

“Os bombeiros na sua dimensão de voluntariado são uma experiência, um caso singular que marca e diferencia Portugal e que deve ser valorizado. Apostar na formação, dando reconhecimento institucional com os graus adequados à Escola Nacional de Bombeiros, que deve ser dotada de meios próprios e temos de reforçar uma componente profissional, dentro das estruturas das associações de bombeiros”, disse. 

Dezenas de familiares e amigos das vítimas dos fogos florestais de junho, em Pedrógão Grande, estão hoje nas galerias da Assembleia da República, protestando, para já em silêncio, com camisolas com o número de mortos: 64.