A expressão do título não é de Eduardo Cabrita, mas ilustra o momento em que na intervenção desta tarde, no parlamento, o ministro da Administração Interna cita o relatório da Comissão Técnica Independente para sublinhar o caráter excecional das condições meteorológicas que levaram aos incêndios de outubro. O ministro lembrou que os meios aéreos e terrestes pouco podiam fazer nos minutos depois das chamas terem começado, mas não deixou de garantir que o Governo está a “fazer tudo” para o cenário devastador não se repetir este ano, anunciando mais carros e homens para combater os incêndios já no próximo verão.

Tratou-se como diz o relatório da Comissão Técnica Independente do maior incêndio verificado na Europa do Sul, em 2017, que decorreu da verificação de condições meteorológicas extremas que determinaram, aliás, pela dimensão e pela proliferação no território muito vasto em dezenas de municípios, situações, em que se diz na página 107 do relatório, o ataque inicial, quer por meios terrestres, quer por meios aéreos, estava profundamente limitado a tempos de resposta entre cinco minutos no primeiro caso, 10 a 17 minutos no segundo caso”, referiu.

O ministro deixou na Assembleia da República o “compromisso de execução da linha essencial das medidas propostas” no relatório da Comissão Técnica, salientando, como já o havia feito na primeira reação ao documento, a importância das conclusões do documento. Eduardo Cabrita anunciou também a adjudicação, por ajuste direto, de 240 viaturas ligeiras e pesadas para o combate aos incêndios florestais do próximo verão.

Segundo o ministro, 140 viaturas vão para o Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) e para o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, enquanto 80 destinam-se aos corpos de bombeiros e as restantes 20 à Força Especial de Bombeiros (FEB).

Durante o debate, o ministro foi acusado de não abordar o “meio do relatório”, isto é as conclusões de que a população foi alvo de um “dramático abandono” e de que foram requeridos mais meios que o Governo negou.

O senhor ministro, permita que lhe diga, começa pelo princípio, fala no fim, mas sobre todo o meio, todo o corpo do relatório, sobre tudo aquilo que este relatório nos demonstra, zero”, disse Telmo Correia do CDS-PP, que acusou ainda o governo de incompetência, nomeadamente ao não decretal o Estado de Calamidade, como aconteceu em agosto depois dos incêndios de Pedrógão Grande.

Na resposta, o ministro da Administração Interna deixou a garantia de que o Governo tudo está a fazer.

O governo assume todas as responsabilidades e assume todas as conclusões, quer deste relatório, como tirou do relatório anterior. E é por isso que em matéria de planeamento, de combate, de resposta aos desafios estruturais estamos a fazer, intensamente, desde o Conselho de Ministros extraordinário, tudo para que o futuro seja diferente, mas para sobretudo, o tal meio, este ano seja diferente”, garantiu o ministro.

O PSD, na intervenção de Carlos Peixoto, também pediu responsabilidades e acusou o Executivo, nomeadamente, António Costa, de não ter uma “voz humilde”, de se comportar com “soberba” e de culpar “em primeiro lugar o poder da natureza” e depois de “apontar o dedo à EDP”, lembrando que obriga os proprietários a limpar as matas, “como se o Estado limpasse as suas”.

O ministro acabou por enumerar algumas medidas que o Governo está a trabalhar para entrarem em vigor na próxima época de incêndios, nomeadamente, a profissionalização nos bombeiros voluntários, nas áreas de risco prioritário. Eduardo Cabrita garantiu ainda que os bombeiros voluntários vão ter mais 80 equipas profissionais, o que equivale a mais 400 bombeiros com estatuto profissional.

Questionado sobre as falhas na estrutura da Proteção Civil e na coordenação no terreno de que dá conta o relatório, o ministro disse que vão ser colocados adjuntos de comando em toda a estrutura da Autoridade Nacional de Proteção Civil, lembrou que a estrutura de topo foi já substituída e disse que a nova lei orgânica vai estabelecer as regras de concurso e de profissionalização na escolha de quadros.