PSD e CDS-PP congratularam-se esta quinta-feira com o "acolhimento" por parte dos outros partidos para a realização de um novo relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de 15 de outubro, tal como o efetuado sobre os de junho.

Segundo o presidente do grupo parlamentar social-democrata, Hugo Soares, ladeado pela vice-presidente democrata-cristã Cecília Meireles, ficou definido na conferência de líderes que o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, vai "aferir da disponibilidade dos especialistas da CTI [Comissão Técnica Independente] e seus membros de poderem ou não fazer este trabalho".

Só depois, os grupos parlamentares de PSD e CDS formalizarão a proposta, adiantou Hugo Soares, defendendo que "a CTI, que foi também proposta por estes dois grupos parlamentares e depois teve amplo consenso", deveria "aproveitar todo o 'know-how' [conhecimento] do trabalho - meritório e de grande fôlego - que fez sobre os incêndios de Pedrógão Grande".

Para o deputado do PSD, os portugueses devem "ficar a perceber o que, realmente, aconteceu naquele dia [15 de outubro] e o que falhou para que esses erros não se voltem a repetir".

Creio que foi um apelo bem acolhido por todos os grupos parlamentares", afirmou Hugo Soares.

"Esta comissão foi de facto útil ao país e o trabalho que realizou foi vital quer para apurar o que se passou, quer para apontar pistas do que tem de ser resolvido, quer, sobretudo, para começarmos a dar passos no sentido de que os cidadãos possam reganhar a confiança que ficou muito abalada num Estado que falhou", afirmou a deputada centrista Cecília Meireles.

Tanto a democrata-cristã como o social-democrata rejeitaram a hipótese de um novo relatório poder redundar numa repetição daquele já elaborado por serem "eventos muito diferentes entre si, infelizmente ambos trágicos", nomeadamente devido às ocorrências noutros "espaços geográficos e com comandos e meios envolvidos no combate às chamas" diversos, questionando assim as "opções não tomadas pelo Governo" socialista no período que mediou as duas tragédias.

O relatório da CTI, tornado público em outubro, atestou que a ausência de um alerta precoce propiciou o elevado número de mortos, entre outras críticas e sugestões às autoridades, relativamente aos incêndios que começaram em junho em Pedrógão Grande e provocaram 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos, além de elevados prejuízos materiais.

Em 15 de outubro, novos incêndios atingiram particularmente 27 concelhos da região Centro. Os fogos deste dia provocaram 45 mortos, cerca de 70 feridos, destruíram total ou parcialmente cerca de 800 habitações permanentes e cerca de outras tantas casas, quase 500 empresas e extensas áreas de floresta nos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.