O Presidente da República endereçou «uma palavra de agradecimento» aos bombeiros, agentes de proteção civil e populações pelo «desempenho notável» no combate aos incêndios, sublinhando que a morte de bombeiros não se pode transformar numa realidade habitual.

«Envio aos bombeiros portugueses e demais agentes de proteção civil uma palavra de agradecimento pelo desempenho notável que têm demonstrado e de coragem para a missão que ainda têm pela frente. Faço-o também às populações, que têm sabido encontrar forças para enfrentar as chamas e ajudar os bombeiros», lê-se numa mensagem do chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, divulgada no site da Presidência da República.

Logo no início da mensagem, o chefe de Estado recorda que hoje de manhã, pela quinta vez este mês, o país foi confrontando com a morte de bombeiros em serviço.

«Faleceu esta manhã no combate a um incêndio em Tondela, no Caramulo, a bombeira Cátia Pereira Dias, da Corporação de Bombeiros de Carregal do Sal. Neste mesmo combate ficaram feridos elementos da GNR e outros bombeiros, dois destes com gravidade», refere, notando que também já hoje quatro bombeiros sofreram queimaduras, dois deles também com gravidade, num incêndio em Vila Nova de Foz Côa e, noutro incêndio, em Valença, um bombeiro sofreu ferimentos graves.

Recordando ainda as mortes de Bernardo Figueiredo, da Corporação de Bombeiros do Estoril, Ana Rita Pereira, da Corporação de Alcabideche, António Nuno Ferreira, de Miranda do Douro, e de Pedro Rodrigues, da Covilhã, ambos também no combate operacional, Cavaco Silva sublinha que este «não é o primeiro ano em que há bombeiros tombados em serviço, prova do risco efetivo da missão que abraçaram».

Contudo, frisa o Presidente da República, «não podemos deixar que as mortes de bombeiros em incêndios florestais se transformem numa realidade habitual».

«Tem sido muito grande a pressão dos incêndios florestais deste mês de agosto, com ocorrências, área ardida, reacendimentos e duração dos fogos que relembram os piores anos», acrescenta o chefe de Estado, fazendo igualmente referência aos bombeiros feridos em serviço, alguns com gravidade que inspira cuidados, e às «outras vítimas» causadas por esta pressão, nomeadamente o presidente da Junta de Freguesia de Queirã em Vouzela, que ficou gravemente ferido, o funcionário da REN que morreu num acidente de trabalho quando recuperava a rede elétrica danificada no incêndio de Góis e o atropelamento mortal na Madeira causado pelo despiste de uma viatura militar que se deslocava para um incêndio.

«Todas estas dramáticas situações humanas merecem o nosso profundo respeito e pesar. Devemos venerá-las humildemente, com a discrição, a seriedade e a proximidade que cada um destes dramas pessoais reclama. Devemos fazê-lo sem outro objetivo que não seja o de honrar o exemplo singular de dignidade e abnegação de quem - sem nada pedir em troca e na flor da idade adulta - doou a sua vida ou a sua integridade física na ajuda voluntária aos demais», acrescenta o chefe de Estado.

Na mensagem, Cavaco Silva confirma a dureza dos incêndios florestais que têm ocorrido em agosto e nota que «a pressão não está ainda debelada».

Mais tarde, refere, será então tempo «dos balanços e da análise serena dos factos, de modo a colher lições efetivas e concretas para o futuro».

A mensagem do Presidente da República surge dias depois de Cavaco Silva ter sido alvo de comentários de indignação face ao silêncio em relação à morte de bombeiros no combate às chamas.