O secretário-geral comunista defendeu esta segunda-feira as que as pessoas têm de estar “à frente do défice", condenando a "dicotomia inaceitável" entre a reposição de direitos no Orçamento do Estado para 2018 ou atender aos problemas da floresta.

"Creio que é uma dicotomia inaceitável. Voltar atrás com medidas positivas... estamos a falar de quê? Não aumentar pensões e reformas, não desbloquear a progressão das carreiras, manter a injustiça fiscal em sede de IRS?", questionou o líder do PCP depois de defender que o OE2018 tem de contemplar, "nas verbas e mapas, os meios de investimento para dar resposta à questão da floresta portuguesa".

Jerónimo de Sousa falava após um encontro com dirigentes ecologistas, na sede nacional do PCP, em Lisboa, e referiu que, desde sábado, oito equipas de deputados estão no terreno, a contactar com a realidade trágica dos recentes fogos e a dar uma palavra de solidariedade, quando questionado sobre a sugestão do Presidente da República de os parlamentares visitarem os locais atingidos pelas chamas.

Referindo-se ao anúncio feito pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, durante o Conselho de Ministros extraordinário de sábado, de que será disponibilizada uma verba total "entre 300 e 400 milhões de euros" para recuperação das habitações e das infraestruturas de empresas e autarquias e para apoio ao emprego e ao setor agrícola e florestal, Jerónimo de Sousa sublinhou que para o PCP “as pessoas estão à frente do défice”.

"São precisos 200, 400, 600 milhões de euros para a floresta, isso seria passar de um défice de 1% [do PIB] para 1,1%, 1,2%, 1,3%, qual é o sacrilégio orçamental ou económico que se está a fazer com esta proposta? Nós temos uma opção: as pessoas estão à frente do défice", frisou Jerónimo de Sousa, apontando "omissões" do executivo socialista em matérias como o "ordenamento, os guardas florestais, os bombeiros, a proteção civil e estruturas do Estado desmanteladas".

"Os que defendem esta falsa dicotomia não querem que se toque nos níveis do défice. Querem agarrar nos cinco mil milhões de euros que foram excedentes e riqueza criada pelos portugueses e ir tudo para o ‘buraco negro' do défice e da dívida? Não tem de haver uma consideração de que as pessoas estão primeiro que o défice", acrescentou o secretário-geral do PCP.

Para o líder comunista, "não há nenhuma contradição em continuar este caminho de reposição e de conquista de direitos, de valorização dos rendimentos dos portugueses, a par do próprio desenvolvimento económico, e encontrar as respostas possíveis para os problemas imediatos".