A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) quer que a Proteção Civil apresente, até ao fim do mês, um “programa de emergência” que tire “consequências do que correu mal na tragédia de Pedrógão Grande”, corrija erros e responda à sua missão no verão.

Catarina Martins sublinhou que “este é o momento para agir rapidamente, com segurança, com sensatez, apurando o que aconteceu, mas tirando consequências”.

A líder bloquista afirmou que “o verão só está a começar”, pelo que a Autoridade Nacional de Proteção Civil “tem que ser capaz”, até ao fim deste mês, de apresentar um “programa de emergência”, que "tire consequências" e diga ao país “quais são os mecanismos que tem postos em prática para assegurar o seu trabalho, para poder responder ao que for necessário durante o verão”.

Para Catarina Martins, os profissionais são “os primeiros a sofrer imenso com o que aconteceu” e a querer corrigir, pelo que está “certa de que ajudarão a saber o que aconteceu, a apurar responsabilidades e a ter um plano em marcha para fazer com que o que aconteceu não se possa repetir”.

Catarina Martins lembrou que, logo após se perceber a dimensão da tragédia do incêndio que deflagrou no passado sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, considerou “impossível achar que tudo tinha corrido bem”, pois “tudo indicava que quem estava no terreno não tinha noção da dimensão do que estava a acontecer”, até pela forma como as pessoas foram encaminhadas para determinados percursos.

Sublinhando que hoje é público que o sistema de comunicações SIRESP teve “falhas graves durante quatro dias”, o BE “mantém a exigência de que todas as perguntas tenham respostas, que sejam apuradas todas as responsabilidades” e que seja responsabilizado quem o deva ser.

Para Catarina Martins, a Rede Nacional de Emergência e Segurança (SIRESP) começou mal de início, ao ser constituída como uma parceria público-privada (PPP) durante o Governo de Santana Lopes, com uma antiga empresa do grupo BPN, e mantida durante o Governo de José Sócrates.

O modelo do SIRESP levantou-nos sempre as maiores dúvidas, pelo modelo financeiro de PPP e pelo tipo de negócio que foi feito, que custou cinco vezes mais do que devia, mas também porque a nível operacional nos parecia que concentrava comunicações a mais, portanto seria um risco”, declarou.

A coordenadora do BE lembrou que está pronto desde 2014 um relatório sobre Proteção Civil e prevenção, aprovado por todos os partidos no parlamento, “e não foram retiradas as necessárias consequências”.

Precisamos de um sistema de comunicações eficiente, capaz de resistir e, quando alguma coisa corre mal, ter um outro sistema e que seja de responsabilidade integralmente pública, porque este é um serviço por excelência que o Estado tem que ter”, acrescentou.

BE apoia financiamento, mas não para eucalipto 

A coordenadora do Bloco disse ainda que o partido apoia as linhas de financiamento para ordenamento florestal, contestando apenas a que destina nove milhões de euros para a plantação de eucaliptos.

Catarina Martins disse que o partido “acha muito bem que se mantenha” o financiamento, no âmbito do Portugal 2020, para o ordenamento da floresta, mas reafirmou que a linha de nove milhões de euros, com concurso aberto até 31 de julho, “tem a infelicidade de não ter a ver com ordenamento da floresta e ser única e exclusivamente para plantar eucaliptos”.

A coordenadora do BE fez questão de esclarecer a tomada de posição contra o financiamento para plantação de eucalipto, dada a reação do ministro da Agricultura. 

Catarina Martins sustentou que “o que é necessário no nosso país é que haja dinheiro público para plantar outras espécies que não o eucalipto e que provam ser mais resistentes ao fogo e que por isso protegem mais as populações”.

O que o Bloco “aconselha é que uma linha que é só dedicada ao eucalipto” seja “suspensa e que esses nove milhões de euros possam ir na mesma para estes concelhos, que precisam tanto desse apoio, mas que não seja para plantar eucaliptos outra vez, que criou tanta tragédia” nos concelhos onde deflagraram incêndios no passado sábado (Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Góis).

Esse dinheiro, defendeu, deve ser direcionado para “espécies que, sendo comercialmente menos rentáveis, precisam de mais apoio público para serem plantadas e que são espécies que protegem melhor as populações”, como é o caso do carvalho ou do castanheiro.

Catarina Martins pediu para “não confundir o que não se confunde”, sublinhando que o BE “nada tem contra as linhas de apoio à floresta” nem contra a concessão de nove milhões de euros para a floresta nos concelhos que arderam.

O incêndio, que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, segundo o último balanço, divulgado esta quarta-feira. É o mais mortífero da história do país.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

Estes incêndios consumiram cerca de 53 mil hectares de floresta e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.