Os partidos da oposição na Assembleia Legislativa da Madeira queixaram-se de terem sido impedidos de discursar na sessão solene do 25 de Abril, que teve apenas a intervenção do presidente do órgão, Miguel Mendonça, e do orador convidado, o professor catedrático, Viriato Soromennho Marques. A sessão solene, que se realizou no Salão Nobre, e não no plenário, contou com a presença dos deputados do PSD, CDS, PS e PAN e ausências dos representantes do PTP, PND, MPT e PCP.

O responsável da bancada do CDS, Lopes da Fonseca, disse, citado pela Lusa, que o partido propõe que todas as representações com assento parlamentar pudessem intervir na sessão, a primeira desde que em 2006 a maioria PSD decidiu vetar comemorações do 25 de abril na Assembleia Regional, «mas a maioria não concordou».

«Nós já estamos habituados, aqui na Madeira, que o Governo Regional, nomeadamente o presidente do Governo Regional, imponha a sua maioria musculada, e nós já estamos sarados destas feridas, e penso que em 2015, finalmente a ferida vai ficar sarada definitivamente», referiu.

Também a líder parlamentar do Partido Trabalhista Português (PTP), Raquel Coelho, ironizou a forma como decorreu a sessão, ironizando que foram «chamados os civis a serem os oradores principais desta celebração e os deputados dos partidos são colocados à margem».

«Os que são os representantes do povo, eleitos democraticamente, são excluídos de poder fazer o uso da palavra e manifestarem as suas opiniões neste dia tão importante do 25 de abril», sublinhou a deputada, explicando que o seu partido decidiu assim «não celebrar comemorações que são apenas para branquear a ação do PSD, para mostrar que são feitas apenas para mostrar que o PSD é democrata».

Por seu turno, o líder parlamentar do PS, Carlos Pereira, classificou de «cínico» o discurso do presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, defendendo que tinha por objetivo «esconder o fracasso da autonomia dos últimos anos».

«Nós tínhamos a expectativa de que pudéssemos de facto contar com uma sessão aberta, uma sessão plural, e uma sessão onde fosse possível de facto viver a Democracia e viver o 25 de Abril, porque o que nós assistimos aqui foi, para já, um discurso cínico do senhor presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, um discurso que pretendia basicamente esconder aquilo que é o fracasso da Autonomia dos últimos anos», disse, considerando que a alocução de Miguel Mendonça foi «um discurso que levou para muito longe os problemas que estão a afetar os madeirenses, ou seja, como se reparou, resolveu falar da Europa, do mundo, quase de Marte, mas não falar da Madeira, e isso é lamentável».

No seu discurso, Miguel Mendonça considerou que o país nesta altura não é livre. «É preciso, humildemente, reconhecer é que 40 anos depois de Abril, o país vive em liberdade, mas não é livre», disse o presidente do parlamento madeirense, acrescentando que, «sendo o 25 de Abril um marco de referência, a data mágica do grande gesto do povo na conquista da liberdade, mais importante do que a exteriorização de alegrias à volta do acontecimento, é que cada português integre no seu íntimo esse bem que é a liberdade».

Viriato Soromenho Marques centrou o seu discurso na Europa. «Portugal deve reerguer-se e travar, com os aliados que conseguir reunir em torno de propostas comuns, uma luta sem tréguas pela Europa», disse o orador convidado da Assembleia Legislativa da Madeira, numa conferência que proferiu no âmbito da sessão solene comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril, no salão nobre do parlamento regional, considerando que, estando numa «encruzilhada tão perigosa e incerta da secular história, os portugueses devem assumir a atitude de exigência e rigor».