O Bloco de Esquerda quer que o Governo volte a entregar às Forças Armadas a gestão do Hospital Militar Principal, para funcionar como hospital de retaguarda, face à “perda de capacidade de resposta” na saúde militar.

Em declarações à Lusa, o deputado do BE João Vasconcelos sustentou que a reversão do modelo de “hospital único” das Forças Armadas é a solução que “se impõe” perante a “falta de capacidade de resposta” na saúde militar.

Num projeto de resolução, que deu entrada no início do mês e que o BE quer levar a votos ainda na presente sessão legislativa, o BE defende também a "reafetação do Hospital Militar de Belém às Forças Armadas", para que fique “ao serviço do apoio social e clínico dos militares, ex-militares” e famílias.

O Bloco de Esquerda sublinha que “ao contrário do que havia sido projetado pelo anterior Governo”, o modelo de “hospital único” para as Forças Armadas, com a extinção das unidades de Belém, da Estrela e da Marinha, resultou “numa efetiva perda de capacidade de resposta nos casos de apoio social e clínico aos militares”.

“A rentabilização de serviços e espaços também não foi garantida de forma satisfatória, já que o processo vem forçando os militares e os seus agregados familiares a recorrerem a hospitais privados e/ou a lares”, sublinhou.

O BE considerou que a situação é “tanto mais agravada” face à carência de acompanhamento hospitalar dos muitos beneficiários do Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), que “não dá resposta ao elevado número de requerentes de prestação de cuidados de saúde” e tem uma “lista de espera de 1.500 pessoas” para internamento.

O polo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas foi criado através de decreto-lei em 2012, e ficou instalado no espaço físico do antigo hospital da Força Aérea, Lisboa, agregando as valências e serviços dos hospitais de Belém, da Estrela e do hospital da Marinha.

O Hospital da Marinha foi vendido em hasta pública em 2017 mas as soluções previstas para as duas outras infraestruturas “foram infrutíferas” já que “após vários anos de interregno esses espaços permanecem inativos”, sublinhou o BE.

Quanto ao Hospital Militar Principal (Estrela), cedido à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para criar uma Unidade de Cuidados Continuados, “o processo ainda não avançou por desinteresse de potenciais interessados”, referiu.

“Também não houve qualquer avanço em relação ao Hospital Militar de Belém, onde a Cruz Vermelha Portuguesa também queria instalar uma Unidade de Cuidados Continuados”, frisou o deputado, lembrando que o atual Governo já revogou a cedência da instalação à CVP e que estuda atualmente uma nova solução para a estrutura.

“Após vários anos de interregno, e visto que esses espaços permanecem inativos, pode-se afirmar que as soluções encontradas foram infrutíferas na resolução dos problemas que se pretendiam solucionar”, defendeu o BE.

Sem utilização desde 2013, os dois hospitais têm uma capacidade de cerca de 400 camas.