A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou o Governo de instalar o caos, com os cortes nos centros de saúde e hospitais, e de favorecer os negócios privados na saúde.

Urgências dos hospitais voltam 20 anos atrás

«Quem trabalha e paga impostos está a fazer a sua parte, mas o Governo não está. Está a deixar que os recursos dos portugueses alimentem interesses financeiros e negócios privados da saúde e a deixar o Serviço Nacional de Saúde cada vez com menos capacidade de resposta», disse.

Catarina Martins falava em Aveiro, onde reuniu com a administração hospitalar, para se inteirar das razões que levam à falta recorrente de macas na Urgência.

«As urgências no Hospital de Aveiro começaram o ano da pior maneira. No início do ano tivemos situações, que se têm vindo a repetir, de ambulâncias paradas, sem poderem deixar os seus doentes porque faltam macas nos hospitais. Temos pedido explicações no parlamento ao Ministério da Saúde sobre esta situação, mas quisemos também falar com a administração do Hospital», justificou.

A coordenadora do BE salientou que «o que se vive no Hospital de Aveiro não é muito diferente do que se vive nas urgências um pouco por todo o país», uma situação recorrente que se tem vindo a agravar.

«Durante dois anos, o ministro da Saúde andou a dizer que era possível cortar no Serviço Nacional de Saúde sem com isso causar dano aos utentes e vemos que isso não é verdade. Os portugueses sentem bem na pele, quando não há macas, quando não há camas para internamento, com todo o caos nas urgências, e com os casos verdadeiramente trágicos como o atraso nos exames de colonoscopias, que foram recentemente notícia», criticou.

Segundo Catarina Martins, «os cortes no Orçamento da Saúde provocaram uma incapacidade de resposta dos Centros de Saúde e uma diminuição das consultas especializadas, pelo que as pessoas não têm mais nada a que recorrer, se não as urgências, pelo que, com os cortes também nas urgências o caos era inevitável».

A dirigente do Bloco realçou que «quem trabalha em Portugal faz um esforço muito grande com os seus impostos, para que o país possa dar a todos as condições que precisam, quando estão doentes», o que não se está a verificar.

«Os portugueses nunca pagaram tantos impostos na vida e têm tão pouco pelos impostos que pagam e os cortes no Serviço Nacional de Saúde são um espelho disso», concluiu.