
A vitória do socialista francês François Hollande nas presidenciais de domingo passado foi bem acolhida pela maioria dos eurodeputados portugueses, que hoje participam, em Bruxelas, no debate sobre o futuro da União Europeia (UE).
Para o eurodeputado Paulo Rangel (PSD), as eleições em França «nunca apresentaram especial gravidade, qualquer que fosse o resultado».
«Penso até que François Hollande pode trazer benefícios à UE e a Portugal, nomeadamente no que respeita ao crescimento. A mudança pode ser positiva e acelerar o impulso de crescimento», comentou, em declarações à Lusa.
A socialista Edite Estrela sublinhou «a grande esperança» que traz a vitória da sua família política nas presidenciais francesas.
«Os franceses acreditaram numa alternativa que lhes falou num rumo que quer para a Europa, contra a ganância e a especulação ¿ que estiveram na origem da crise», disse, acrescentando que Hollande «é o paradigma de um novo modelo, de mais solidariedade».
Por seu lado, Nuno Melo (CDS-PP) realçou o «discurso politicamente perigoso de Hollande», pois «assegura princípios de austeridade, mas ao mesmo tempo anuncia medidas que vão no sentido contrário, como a antecipação da idade da reforma para os 60 anos».
«Propõe-se unilateralmente negociar o Tratado Intergovernamental, que já está fechado e começou a ser ratificado», referiu, salientando que o novo Presidente sugere «uma caminhada a dois, com a Alemanha, e não a 27».
Marisa Matias (BE) destacou que o sentido de voto dos franceses foi o da «recusa da política de austeridade». «É impossível, aos líderes europeus, não verem esse sinal», disse.
Já João Ferreira (PCP), sublinhou que a vitória do socialista é «a derrota das políticas da dita austeridade que têm sido impostas, a derrota da direita retrógrada representada por (Nicolas) Sarkozy», o Presidente cessante.
«Houve vontade de mudança, mas temos que ver o que se vai seguir, uma vez que Hollande não põe em causa eixos fundamentais em questões nucleares», adiantou.
O Presidente eleito, considerou também, «não põe em causa o tratado orçamental, apesar de falar em crescimento e emprego. É uma mentira pensar que acrescentando uma adenda algo muda».
O Parlamento Europeu debate hoje o futuro da União Europeia, no dia em que se celebra a fundação da Europa comunitária ocorre à luz dos resultados das eleições de domingo passado, que ditaram uma «viragem» à esquerda em França, com a vitória do socialista François Hollande nas presidenciais, e uma situação de impasse político na Grécia, fruto de uma forte subida de forças políticas radicais.