"O Presidente da República errou em primeiro lugar por não ter falado com os partidos antes de ter tomado qualquer decisão. Provavelmente seria uma mera formalidade. Mas eu tê-lo-ia feito. Em primeiro, convidava [PS e coligação] para se entenderem e dava-lhes prazo, chamaria atenção que o país não iria entender que não se entendessem e se necessário forneceria uma síntese estratégica para 10/15 anos. Não lhe chamaria [bloco central] mas é a primeira possibilidade que resultou das eleições, é essa é a natural."

A segunda solução seria dar posse a um governo PS, PCP e BE, caso aceitassem "um acordo escrito" comprometendo-se com as obrigações europeias. "Aceitaria um governo de esquerda, é constitucionalmente possível", embora Neto reconheça que existe um "conflito entre a legalidade e a legitimidade".

Para além do mais, os partidos da esquerda nunca prepararam o país para que pudesse vê-los a governar, com entendimentos. 

"Ao longo de 40 anos não houve maioria de esquerda, ninguém disse que estava disponível. O cidadão naturalmente não imaginou que após as eleições os três partidos pudessem mudar de posição"

O candidato considera que o Presidente da República deve fazer mais do que apelos e Cavaco Silva remeteu-se a isso no seu mandato. "Tem tido posição muito institucional, muito afastada no seu envolvimento, não arrisca. Já há ano e meio quando tentou compromisso de salvação nacional limitou-se a dizer 'entendam-se'. Quem tem experiência da política portuguesa ao longo de 40 anos, não iam entender-se por milagre".

A esquerda, nomeadamente, "com a sua posição maximalista, do tudo ao nada, de se manter indiferente aos problemas" não ajudou nestes anos. Henrique Neto, recorde-se, foi militante do PCP, que abandonou em 1975, tendo sido mais tarde eleito deputado pelo PS. 

Agora, perante a situação atual, o candidato ainda acredita que o bom senso vai vigorar e que haverá lugar a um compromisso entre as forças políticas. "Isso não vai por apelos, vai com discussão de coisas concretas".

Marcelo não ganha à primeira volta

E não admitiu desistir. Está na corrida para ir até ao fim, com mais ou com menos apoios, com mais ou menos dinheiro para a campanha. "Eu candidatei-me e antes fiz um debate com amigos sobre quem estará em melhor posição, preparação, experiência... Encontrei muito pouca gente".

Daí considerar que é ele próprio que tem melhores condições: "Não vejo ao meu redor ninguém que esteja melhor preparado". Vê "pessoas estimáveis", mas assinalou que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.