Henrique Neto entende que Cavaco Silva deveria ter dito “muito antes” das eleições legislativas o que pretendia fazer em “determinadas circunstâncias”, por ser “previsível” que não houvesse uma maioria absoluta.

“Há certas coisas que são previsíveis e, aqui, o Presidente da Republica devia ter-se antecipado para avisar e informar os portugueses sobre quais eram as possibilidades que se ponham para que pudessem votar em consciência, sabendo o que lhes esperava na fase seguinte e ter-se-ia evitado este cenário”, disse o candidato presidencial na segunda-feira à noite, durante uma sessão do Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, citado pela Lusa.

Ou seja, na sua opinião os portugueses deviam ter sabido muito tempo antes das eleições do passado dia 04 de outubro quais as convicções de Cavaco Silva, de António Costa ou de Passos Coelho, para saber “o que esperar deles e com o que poderiam contar”.

Questionado sobre o que faria se estivesse no lugar do atual Presidente da República, Henrique Neto frisou que cumpriria a Constituição, “que é clara em dizer que governa quem tem maioria de deputados na Assembleia da República”.

“Havendo maioria de deputados, seja para a esquerda, seja para a direita, cumpre-se o que a Constituição pede, portanto, o Presidente da República não pode dizer não”


Segundo o candidato às presidenciais, criou-se um “monstro democrático” e, seja qual for a solução, "vai ser má”.

Sobre as candidaturas de Marcelo Rebelo de Sousa e de Maria de Belém, Henrique Neto foi claro em afirmar que “não seriam bons presidentes”, porque “não têm preparação, nem experiência, nem convicções suficientes para um cargo desta importância”.

O candidato presidencial realçou que nenhum destes dois candidatos escreveram, falaram ou emitiram opiniões sobre a situação do país e não fizeram nada quando ele se estava a endividar.

“Se eles não viram os problemas que nos conduziram à atual crise não irão, certamente, ver os que vêm a seguir”, entendeu.

Henrique Neto, ex-deputado do PS e empresário, de 78 anos, foi o primeiro a anunciar a candidatura à Presidência da República, a 25 de março.

Crítico dos governos socialistas de José Sócrates, em janeiro, Henrique Neto subscreveu o manifesto "Por uma democracia de qualidade", entregue ao Presidente da República e que pedia uma reforma do sistema eleitoral.

A cerca de três meses do final do mandato do atual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, são já catorze os candidatos que anunciaram a intenção de entrar na corrida a Belém.