A presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, defendeu esta quinta-feira que Portugal beneficiará de um acordo nas negociações entre a Grécia e a União Europeia que seja bom para ambas as partes.

Helena Roseta é uma das 32 figuras portuguesas que subscreveram uma carta-apelo ao primeiro-ministro para aproveitar o debate sobre a Grécia no Conselho Europeu de hoje de forma a inverter as políticas de austeridade seguidas internamente.

«A questão essencial é que nos parece ser do interesse de Portugal contribuir para que haja uma saída para a negociação entre a Grécia e a União Europeia. É fundamental que haja uma saída, que as duas partes possam aceitar, e que seja boa para os dois, acabando por ser boa também para Portugal», explicou a ex-dirigente socialista em declarações à agência Lusa.


Helena Roseta mostrou-se surpreendida com as declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando classificou a posição do novo Governo de Atenas sobre a dívida como «assuntos que são contos de criança», sublinhando que se tratou de «uma gafe monumental».

«Ontem [quarta-feira] caiu-me a alma aos pés quando ouvi o presidente da Republica dizer que os dirigentes gregos já aprenderam muito. É uma falta de respeito, uma pesporrência perante uma atitude de um governo soberano de outro país e obriga-nos a dizer uma coisa óbvia: defendam os interesses de Portugal», enfatizou.


A responsável lembrou ainda que não se trata de defender os interesses da Grécia isoladamente, mas sim «defender soluções alternativas àquilo que estamos a viver».

«A grande questão que a Grécia pôs em cima da mesa foi a de que ‘a história de que não há alternativa’ [às medidas de austeridade] acabou. Tem de haver e, se há alternativas, é do interesse de Portugal contribuir para elas», acentuou.


A «Carta ao primeiro-ministro de Portugal», noticiada hoje pelo Público, é subscrita por 32 figuras, como os ex-ministros Bagão Félix (CDS-PP) e Freitas do Amaral (executivos da AD/CDS e PS), Ferro Rodrigues e João Cravinho (PS), mas também pelo ex-líder parlamentar do PSD José Pacheco Pereira, pelo ex-coordenador do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, pelos economistas Paulo Trigo Pereira, Pedro Lains e José Reis, pelo empresário Ricardo Bayão Horta, pela escritora Lídia Jorge, pelo ex-secretário-geral da CGTP Manuel Carvalho da Silva ou pelo ex-dirigente comunista Octávio Teixeira.