O BE insistiu esta quarta-feira na necessidade do Governo passar «das palavras e das intenções, aos atos», na remoção de amianto em edifícios, acusando a maioria PSD/CDS-PP de cumplicidade com um problema de saúde pública.

«O que se nota por parte do Governo e da parte das bancadas da maioria é uma completa demissão em relação à resolução do problema, não compreendo como não têm uma única intervenção sobre um problema de saúde pública com esta gravidade. Como é que é possível ficarem calados? Não é só insensibilidade, não é só irresponsabilidade, não é só demissão perante a resolução de um problema, é também cumplicidade e isso é inadmissível», afirmou a deputada do BE Helena Pinto, no plenário da Assembleia da República.

Recuperando uma polémica levantada na semana passada, depois da TSF ter revelado a existência de uma série de casos de cancro recentes na Direção-Geral de Energia e Geologia, alegadamente surgidos devido a exposição a amianto no local de trabalho, Helena Pinto desafiou o Governo a passar «das palavras e das intenções, aos atos», sublinhando ser «tempo de abolir o amianto da vida da população portuguesa».

«Onde está o plano de ação para a sua remoção? Para quando a remoção do amianto nestes edifícios», questionou a deputada do BE.

Numa intervenção política no plenário da Assembleia da República, Helena Pinto fez alusão à existência de várias fábricas de amianto abandonadas em Alhandra, no Porto e na Cruz Quebrada, e à situação «preocupante» nas escolas.

«Em 2007 o Ministério da Educação tinha identificado 739 escolas com amianto. Escolas, hospitais, vários serviços públicos e locais de trabalho continuam com infraestruturas de amianto. Até condutas de água, como é o caso da Vila da Marmeleira, no Concelho de Rio Maior. O Governo revela uma completa inação e incapacidade para resolver este problema», acusou Helena Pinto, desafiando também a Assembleia da República a não ficar indiferente ao problema.