A deputada do BE Helena Pinto exige explicações do ministro da Saúde, já na quinta-feira, sobre problemas de acesso a medicamentos contra a hepatite C, após Paulo Macedo ter sido confrontado no parlamento por doentes.

«O ministro disse hoje em sede de comissão que ele próprio, a começar hoje, iria averiguar todo o circuito dos pedidos de autorização para a utilização deste tipo de medicamentos nos doentes com hepatite C. Esse inquérito tem de ser ultrarrápido e amanhã [quinta-feira] o ministro tem de esclarecer o país», afirmou, nos passos perdidos.

Questionada sobre se o responsável governamental tem condições para se manter no cargo, a parlamentar bloquista defendeu que se devem apurar «todas as responsabilidades, a todos os níveis», num processo que classificou de «muito grave».

«Agora, há aqui a responsabilidade do ministro, a responsabilidade política do Governo. É ele que tem de responder perante os cidadãos e as cidadãs. Não se pode perder nem mais um dia. Pode ser qualquer um de nós a ter uma doença como esta, que não tem cura, e a saber que está ali um medicamento e que o seu Governo não faz tudo para lhe salvar a vida», disse.

No final da audição parlamentar, o ministro da Saúde recebeu os filhos de duas doentes com hepatite C, tendo garantido que iria averiguar a razão de uma das doentes ter falecido na sexta-feira sem receber um medicamento inovador.

A farmacêutica Gilead, detentora do medicamento inovador para a hepatite C, informou posteriormente que a doente que morreu na sexta-feira vítima da doença podia ter tido acesso ao fármaco sem qualquer custo para o Estado.

Na sequência desta nova informação, também o PCP exige mais explicações do ministro e pediu que Paulo Macedo volte ao parlamento.

«A informação do laboratório que hoje conhecemos vem mostrar a contradição com o Governo e a posição deste Governo, em concreto do ministro da Saúde, que é deixar morrer doentes, doentes que tinham possibilidade ter acesso a tratamento», disse a deputada Carla Cruz aos jornalistas no parlamento.

A deputada sublinhou que «é preciso um esclarecimento cabal, porque o ministro hoje disse que tudo está a fazer para que os doentes tenham acesso aos tratamentos».

O PCP não pede, contudo, a demissão do ministro, argumentando, à semelhança do que tem feito relativamente a outros ministros, que «o Governo não deve cair às peças, mas ser demitido» na totalidade.

«A questão não se coloca nas pessoas, mas nas opções políticas do Governo», frisou.

Já o PS acusou hoje o ministro da Saúde de ser «o principal responsável político» pelos problemas no acesso a medicamentos para a hepatite C, desafiando Paulo Macedo a avaliar se tem condições para se manter no cargo.

«Há uma cadeia de responsabilidades que falhou, o senhor ministro é responsável. Não somos nós que temos de avaliar se tem ou não condições [para continuar], o ministro é que tem de fazer uma autoavaliação e, com o senhor primeiro-ministro, perceber se tem ou não condições para continuar a ser o titular da pasta», afirmou a deputada do PS Luísa Salgueiro, em declarações aos jornalistas no parlamento.