A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, admitiu esta terça-feira ter sabido pelos jornais do furto de armas em Tancos, mas garantiu que deu um “nível de preocupação grande”.

Numa audição na comissão de Defesa Nacional, no Parlamento, Helena Fazenda desdramatizou esse facto, sublinhando que quer a Polícia Judiciária, quer a Polícia Judiciária Militar iniciaram rapidamente as investigações ao caso.

Helena Fazenda não respondeu diretamente ao deputado do CDS-PP António Carlos Monteiro, que lhe perguntou se não seria exigível um secretário-geral de segurança interna saber mais cedo do sucedido.

Foi o tempo certo? Foi o tempo que tive”, afirmou aos deputados da comissão, sem nunca dizer se considerava ou não o necessário para agir.

Pela cronologia que apresentou, Helena Fazenda soube do furto a 29 de junho “ao início da tarde”, dia em que o Exército divulgou a informação através de comunicado.

Nesse dia, tentou falar com o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, que “estava ausente, em Bruxelas”, e só conseguiu entrar em contacto com ele cerca das 24:00 desse dia.

Na altura, descreveu, o furto de material foi tratado com um “nível de preocupação grande” e na reunião participou o CEMGFA.

A primeira reunião da Unidade de Coordenação Antiterrorista acontece, segundo afirmou, na tarde de dia 30 de junho, depois de um contacto com a Procuradora-Geral da República.

O encontro aconteceu às 18:30 de dia 30 e, passada uma hora e meia, a procuradora que desempenha o cargo de secretária-geral do Sistema de Informação informou do sucedido o primeiro-ministro, António Costa.

Nessa altura, já todos os membros Unidade de Coordenação Antiterrorista (UCAT) tinham concordado, segundo afirmou Helena Fazenda, que não seria necessário alterar o nível de alerta do país, que era considerado moderado.

Esta avaliação é feita pelo Serviços de Informações e Segurança (SIS), que tem assento na Unidade de Coordenação Antiterrorismo, sublinhou, por várias vezes, a responsável pelo segurança interna.

A UCAT é, de acordo com a Lei de Segurança Interna, o “órgão de coordenação e partilha de informações, no âmbito do combate ao terrorismo, entre os serviços que a integram”.

Neste organismo têm assento os secretários-gerais do Sistema de Segurança Interna e do Sistema de Informações da República Portuguesa, os comandantes-gerais da Guarda Nacional Republicana e da Polícia Marítima, os diretores nacionais da Polícia de Segurança Pública, da Polícia Judiciária e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e os diretores do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e do SIS.

O furto de material de guerra nos paióis nacionais de Tancos, Vila Nova da Barquinha, Santarém, foi divulgado pelo Exército no dia 29 de junho.

Granadas de mão, granadas foguete anticarro, de gás lacrimogéneo e explosivos estavam entre o material de guerra furtado.

Em 20 de julho, o ministro da Defesa anunciou que vai fechar definitivamente os paióis nacionais de Tancos devido às dificuldades logísticas de garantir a segurança.