Atualizado às 19:17

O ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou hoje que transmitiu ao encarregado de negócios da Guiné-Bissau em Lisboa «a gravidade» do embarque de sírios com documentos falsos no aeroporto de Bissau e afirmou apoiar a suspensão de voos pela TAP.

O ministério de Rui Machete afirma, em comunicado, que o encarregado de negócios da Guiné-Bissau «foi chamado» ao ministério dos Negócios Estrangeiros, «tendo-lhe sido transmitida a gravidade do ocorrido», uma das «medidas no campo diplomático» que o Governo português «encetou desde o primeiro momento».

Em causa está o embarque, na madrugada de terça-feira, de 74 passageiros «com documentos comprovadamente falsos no voo TP202 de Bissau para Lisboa», apesar «dos alertas das competentes autoridades portuguesas e da companhia aérea», naquilo que, para o MNE, configura «mais uma grave quebra de segurança no aeroporto de Bissau».

Na sequência deste episódio, a TAP «viu-se obrigada a suspender a rota Lisboa/Bissau/Lisboaa TAP «viu-se obrigada a suspender a rota Lisboa/Bissau/Lisboa até uma completa reavaliação das condições de segurança oferecidas pelas autoridades guineenses no aeroporto em Bissau», uma decisão que o Governo português «compreende e apoia», acrescenta o MNE.

No mesmo comunicado, o Palácio das Necessidades afirma que o Executivo «continua em contacto com a TAP para que se encontrem rotas alternativas para os passageiros afetados enquanto aquela ligação estiver suspensa».

O Governo recorda que «as condições de segurança na Guiné-Bissau se deterioraram fortemente após o golpe de estado de abril de 2012», motivo pelo qual estão desaconselhadas «quaisquer viagens não essenciais àquele país».

A Lusa procurou obter declarações do encarregado de negócios da Guiné-Bissau em Lisboa, mas sem sucesso até ao momento.

Situação é anómala e diplomaticamente séria

Também esta tarde, o secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo D`Avila, considerou «anómala» e com «contornos diplomáticos sérios» a situação gerada em Bissau.

Filipe Lobo D`Avila, que falava aos jornalistas durante uma visita à base logística de Castelo Branco, frisou não dispor de elementos que lhe permitam dizer se os passaportes dos passageiros sírios «são falsos ou não», mas reconheceu que se trata de «uma situação evidentemente anómala, que tem contornos diplomáticos sérios».

O secretário de Estado salientou ainda que, agora, compete ao Ministério da Administração Interna (MAI), através do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), fazer uma «avaliação dos pedidos» de asilo que lhes sejam entregues, pelo que cada caso em concreto será analisado individualmente.

Filipe Lobo D`Avila confirmou que os passageiros sírios foram colocados em três instalações de acolhimento, após uma reunião entre o MAI e o Ministerio da Segurança Social.