O PCP considerou, esta quarta-feira, natural que os trabalhadores da Autoeuropa defendam os seus direitos face a uma proposta da administração que "apenas permite" que tenham um fim de semana seguido "de seis em seis semanas".

Num comunicado sobre a paralisação na Autoeuropa, que ignora as acusações ao partido do ex-dirigente do BE e da comissão de trabalhadores da empresa, António Chora, os comunistas sublinham que “cabe aos trabalhadores e às suas organizações representativas definir as suas posições e formas de luta, como se verifica com os plenários realizados e com a greve de hoje”.

António Chora, numa entrevista publicada na edição desta quarta-feira do Negócios, acusa o PCP de estar por detrás da greve para ganhar margem de manobra nas negociações orçamentais com o Governo.

Sim, é claramente o assalto ao castelo e a tentativa de o PCP pressionar o Governo para algumas cedências noutros lados. Mas isso tem sido a prática ao longo dos anos”, sustentou Chora, que foi membro da comissão de trabalhadores da Autoeuropa e dirigente do Bloco de Esquerda, mas que já se reformou.

Através do comunicado divulgado esta quarta-feira, o PCP começa por salientar que “a Autoeuropa é uma importante empresa do setor industrial com um elevado número de trabalhadores e grande peso na economia nacional”.

Mas recorda logo de seguida que “os trabalhadores da Autoeuropa sempre defenderam os seus interesses, e em diversos processos de negociação verificados ao longo dos anos, recorreram a tomadas de posição e formas de luta que travaram ou fizeram recuar medidas que sentiam atingir os seus direitos”.

Mais uma vez, essa intervenção se verifica perante uma proposta de alteração dos horários de trabalho, questão particularmente sensível, uma vez que afeta a possibilidade de os trabalhadores continuarem a ter direito ao fim de semana, dificultando a organização da sua vida pessoal e familiar.”

Segundo os comunistas, a proposta da administração da empresa do grupo Volkswagen “não garante o sábado como dia de descanso e apenas permite que um trabalhador tenha um fim de semana seguido de seis em seis semanas”.

“Na Autoeuropa, o trabalho efetuado aos sábados, domingos e feriados foi sempre considerado como trabalho extraordinário e pago como tal. É por isso natural que os trabalhadores tomem posição sobre esta questão e defendam os seus direitos”, frisa o PCP, defendendo a necessidade de “soluções que permitam responder à defesa dos seus direitos e ao desenvolvimento da produção nesta empresa.”

Ministério da Economia espera acordo 

O Ministério da Economia "está a acompanhar a situação na Autoeuropa" e "espera que haja acordo entre ambas as partes", ou seja, entre os trabalhadores e a administração, disse esta quarta-feira à Lusa fonte oficial.

A fábrica de automóveis da Autoeuropa em Palmela "está completamente paralisada em todas as secções" devido à greve, afirmou fonte sindical.

Tal como prevíamos, está a haver uma forte adesão à greve. Isto prova que os trabalhadores se identificam com os motivos que levaram a esta paralisação. Há centenas de trabalhadores que estão concentrados aqui à entrada da empresa", explicou Eduardo Florindo, do Sitesul, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.

De acordo com o sindicato Sitesul, com os novos horários que a empresa pretende implementar, cada trabalhador só teria direito a gozar dois dias de folga consecutivas de três em três semanas, quando, a juntar ao dia de folga fixa, domingo, a folga rotativa fosse ao sábado ou à segunda-feira.

Os trabalhadores da Autoeuropa iniciaram esta quarta-feira de manhã o segundo turno de greve contra o trabalho aos sábados que teve início às 23:30 de terça-feira e termina às 00:00 de quinta-feira.

Os cerca de 3000 trabalhadores que participaram nos plenários realizados na segunda-feira aprovaram uma resolução a confirmar a rejeição dos novos horários, particularmente pela imposição do trabalho aos sábados.

A administração da Autoeuropa só se deverá pronunciar depois da greve.