A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, afirmou hoje à Lusa que a vitória do Syriza, nas eleições legislativas na Grécia, "evitou o pior cenário possível que era pôr no poder as forças partidárias da 'troika'".

"Evitou-se o pior cenário, que é o cenário em que - depois de toda a chantagem que a União Europeia fez, das instituições europeias, o Fundo Monetário Internacional, também o papel que o Banco Central Europeu fez para condicionar o exercício da democracia - seria voltar a ter um Governo da Nova Democracia, o principal responsável na situação em que a Grécia se encontra", afirmou a eurodeputada.


Nas eleições legislativas antecipadas, realizadas hoje na Grécia, o partido de esquerda Syriza, de Alexis Tsipras, conquistou 35,47% dos votos, com base em 38,63% do escrutínio, e anunciou que irá aliar-se novamente com o partido nacionalista dos Gregos Independentes (Anel) de Panos Kammenos, para formar um Governo de coligação.

Marisa Matias disse não saber que efeitos podem ter estes resultados nas eleições legislativas em Portugal.

"Pelo menos tem o efeito de contrariar as declarações do primeiro-ministro que, de forma leviana, entendeu usar a expressão 'syrizar' para indicar que o povo voltaria à Nova Democracia e que o que isto mostra é que em três anos, em três eleições houve três vitórias na Grécia. Eu não sei se o primeiro-ministro poderá dizer o mesmo no dia 04 de outubro".


A eurodeputada considerou ainda que o Syriza mostrou aos eleitores gregos que "há vontade" para "abandonar gradualmente a austeridade", mesmo que haja um memorando a aplicar na economia grega.

"A situação na Grécia é difícil, há um memorando para aplicar que de facto tem uma grande dose de austeridade; um memorando muito complicado do ponto de vista da política do Syriza, mas há vontade para continuar a lutar para abandonar gradualmente a austeridade. Essa garantia não existe por parte da Nova Democracia [partido de direita], pelo contrário", disse.