O primeiro-ministro português participou na maratona negocial de 17 horas, finda a qual se alcançou finalmente um acordo para a Grécia. Em Bruxelas, Passos Coelho disse aos jornalistas que o acordo é "mais exigente". E é-o porque a hesitação e incapacidade" para assumir responsabilidades por parte do Governo grego conduziram ao seu "agravamento".

Chegou a hora da "oportunidade" de o Governo grego conseguir "reestabelecer a confiança" dos parceiros europeus, fez notar o chefe de Governo português. Rejeitando que o acordo alcançado possa ser visto como uma humilhação para o governo de Alexis Tsipras, Passos Coelho destacou que 86 mil milhões de euros, num terceiro resgate, é mais do que Portugal recebeu, no seu todo, no resgate de que foi alvo.

"O programa é mais exigente quer ao nível orçamental quer ao nível estrutura. É cedo ainda para antecipar conteúdo final do eventual programa, mas é sabido também que os credores deverão realizar forte esforço financeiro e político em nome da estabilidade da zona euro. Não podemos voltar de forma nenhuma a situação como a que vivemos nos últimos meses"

O trabalho das instituições e do governo grego começará desde já, para um programa de médio prazo para três anos, "mais abrangente e detalhado do que a perspetiva que existia até este acordo".

"Enquanto um país que esteve sob um programa de ajustamento bastante exigente, conhecemos bem os custos, mas a verdade é que a hesitação e incapacidade para assumir responsabilidades conduzem seu agravamento" 


Empréstimo ponte em cima da mesa


O acordo agora alcançado na cimeira "terá uma declaração de apoio do Parlamento ao governo grego" a dar autorização para o mandato conferido ao mecanismo europeu de estabilidade.   

O primeiro-ministro português deu ainda conta que um empréstimo-ponte para permitir à Grécia ter financiamento já não está descartado. Continua em cima da mesa. 

"Esperamos que o programa possa colocar economia grega no caminho do crescimento, que tinha descarrilado. Permitirá alcançar objetivo fundamental de manter integridade da zona euro e esperamos verdadeira solução de longo prazo", disse ainda o primeiro-ministro. 

Passos Coelho saudou "a forma como todos se comportaram" nas negociações. "Foi possível quando parecia já não o ser encontrar uma solução".