A porta-voz do Bloco de Esquerda acusou esta sexta-feira o Fundo Monetário Internacional de estar a “tentar fazer um autêntico golpe de Estado” na Europa. Já esta semana Catarina Martins tinha convocado uma conferência de imprensa a aplaudir as novas propostas gregas -  que acabaram depois por não reunir consenso com os credores -, dizendo que "rompem com a austeridade".

“Tínhamos, há dois dias, uma proposta de acordo do governo grego que os parceiros europeus consideraram aceitável” e que “protegia pensões e rendimentos mais baixos, taxando grande fortunas e taxando quem nunca pagou impostos”, disse aos jornalistas, durante uma visita à Feira de S. João, em Évora, hoje à noite.

"Mas agora, vem o FMI dizer que essa proposta é inaceitável. O que o FMI está a tentar fazer na Europa é um autêntico golpe de Estado”


Ou seja, “quer derrubar um governo que foi legitimamente eleito e quer acabar com um programa legitimamente sufragado pelo povo grego”, frisou, citada pela Lusa.

Segundo a porta-voz do BE, o que está em causa não é “a sustentabilidade económica do programa que o governo grego propõe”. “Até porque os parceiros europeus já tinham reconhecido que era possível, que era um caminho viável e que tinha que ter como uma segunda fase a reestruturação da dívida, como o próprio presidente francês veio reconhecer”.

O que se passa é que o FMI “faz o processo recuar para proteger os interesses das grandes fortunas”, e, “acima de tudo, para tentar que, na Europa não possa haver um outro futuro que não a austeridade permanente, que não o sacrifício permanente dos povos”, referiu.

Para a dirigente do Bloco de Esquerda, esta situação exige solidariedade para com a Grécia da parte dos povos europeus, nomeadamente dos portugueses.

“O que hoje se exige é que cada pessoa que acredita na democracia na Europa” e “que não desiste de viver com dignidade, esteja solidária com o governo grego e não compactue com este autêntico golpe de Estado que o FMI está a tentar fazer na Europa”, defendeu.

Entretanto, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou que  vai referendar o acordo com os credores (que oficialmente ainda não existe, pelo menos), que trará mais cortes em troca da última tranche do programa de resgate, no valor de 7.2 mil milhões de euros.

Noutro plano, e sobre as alterações à lei do aborto, em Portugal, a porta-voz do BE disse que “não tem pés nem cabeça” pretender-se acabar com a isenção de taxas moderadoras em caso de Interrupção Voluntária da Gravidez.