O Bloco de Esquerda só consegue classificar a cimeira da zona euro de domingo e segunda-feira como "um verdadeiro golpe de Estado". O acordo de princípio para um novo resgate, alcançado depois de uma maratona negocial de 17 horas, foi uma imposição do estilo "colonialista", nas palavras de Catarina Martins. 

"Não foi um acordo, foi uma imposição. Foi um verdadeiro golpe de Estado, que põe em causa o próprio regime da União Europeia. A democracia foi completamente varrida do mapa para dar lugar a imposições do estilo colonialista"


Essas mesmas imposições, frisou, "põem em causa a sobrevivência da União Europeia". A dirigente do BE criticou ainda a postura do Governo português-

"É o único Governo de um país do sul da Europa que não se opôs a uma eventual saída do euro da Grécia, quando todos os países perceberam que essa chantagem não deveria ser posta em cima da mesa".


"Passos Coelho decidiu ficar ao lado da Alemanha" e ajudou a alimentar "a chantagem sobre a Grécia", criticou, referindo que essa mesma atitude deve envergonhar o povo português e cria "mais preocupações sobre o futuro do nosso país".

Catarina Martins falava aos jornalistas à margem de uma reunião com a Associação Académica de Coimbra, na Faculdade de Letras.

O acordo é duro e impõe condições com calendários específicos. O parlamento grego tem de aprovar propostas até quarta-feira.

A mais longa cimeira da zona euro decidiu assim avançar com um terceiro programa de resgate à Grécia, no valor de 86 mil milhões de euros.

O primeiro-ministro grego garante que, pelo menos, conseguiu a reestruturação da dívida. Mas não é para já.