Para o assessor económico de Passos Coelho, a Grécia não só chegou a um "ponto de não retorno", como a Europa percebeu tarde que lidava com o "secretariado central do Syriza" e não com um governo a sério. Rudolfo Rebelo usou o Facebook para atacar a "infantilidade" do executivo de Alexis Tsipras, com palavras duras e comparações, à esquerda, com o cenário político português. 

"Todos sabemos que no mandamento marxista (mesmo de Trotski), partido e Estado confundem-se. É assim. O parlamento é apenas figurante", escreveu, dizendo que os seis meses de governo Syriza foram "perdidos" e demorarão anos a recuperar. 

"O desgaste anímico (efeitos na confiança ) a erosão das receitas fiscais, o aumento do desemprego e na despesa, a reentrada em recessão, afastam, todos os dias, a Grécia do euro. A estória syrizista de que o dinheiro emprestado à Grécia foi para os bancos (e por isso não se paga) é a infantilidade que só os BE cá do burgo conseguem construir", atirou.

Para além do Bloco de Esquerda, a dívida foi tema ainda para críticas ao PS português: "Onde está a solidariedade grega para com os povos famintos? Onde está a moral desta gente bloquista e mesmo do PS que assina manifestos para reestruturar-se a dívida?". 

Rudolfo Rebelo justifica estas críticas assinalando que não pagar ao FMI "significa que as Índias e os Paquistão (e outros do terceiro mundo)" também serão chamados a contribuir. 

O Governo grego venceu as eleições no final de janeiro e, meses depois, ainda o impasse quanto à ajuda financeira.

Depois de na semana passada, a rutura ter sido o cenário mais previsível - com a saída de Atenas do euro a ser encarada como uma possibilidade a sério -, esta segunda-feira os ânimos parecem ter acalmado. A Grécia apresentou novas propostas que agradaram mais aos credores. As negociações continuam.