O reitor da Universidade do Porto acusou o secretário de Estado do Orçamento de ter cometido um «erro crasso» ao indicar a instituição como responsável por um desvio orçamental de 135 milhões e exigiu esclarecimentos.

O Diário Económico noticiou na segunda-feira que o «Governo foi surpreendido com derrapagem de 135 milhões», referindo-se a uma «entidade que não prestou contas a maior parte do ano e gastou mais com o pessoal do que o previsto», tendo, no dia seguinte, o secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis, dito no Parlamento que a instituição responsável seria a Universidade do Porto por ter reportado os seus dados em contabilidade pública e não patrimonial, ainda que tenha ressalvado que o estabelecimento de ensino «no total tem um saldo equilibrado».

Desde terça-feira que a Universidade rejeita ser a responsável pelo desvio: «Como é que pode haver uma derrapagem de 135 milhões se o nosso orçamento de recursos humanos para 2013 é de 126 milhões? Sabe o que é que isto significava? É que tínhamos assinado mais do dobro das pessoas», disse à Lusa o reitor da Universidade, Marques dos Santos.

Durante a audição no Parlamento, Hélder Reis, afirmou que «entre o primeiro Orçamento Retificativo e este Orçamento Retificativo o que [se fez] foi retificar esta não inclusão da informação».

«Se aconteceu algum problema informático foi internamente, no próprio Ministério. Devia ter dito claramente que foi um erro informático. Parece que a Universidade do Porto tinha sido a causa do Orçamento Retificativo nacional, quando nós não temos um cêntimo de desvio do que quer que seja», disse Marques dos Santos, que acrescentou já ter contactado o chefe de gabinete de Hélder Reis, bem como a Direção-Geral do Orçamento, que não terá notificação de nada irregular da parte da universidade.

Entretanto, a instituição de ensino superior emitiu um comunicado no qual «exige uma clarificação pública destes factos, negando por completo a ideia de que "furou a despesa" ou que seja responsável por qualquer derrapagem orçamental».

A Lusa contactou o Ministério das Finanças que respondeu que os esclarecimentos sobre o assunto foram prestados na terça-feira na Assembleia da República e que em nenhum momento o secretário de Estado utilizou a expressão «derrapagem».