O PSD considerou, esta sexta-feira, que há sinais de instabilidade, como as declarações de PCP e BE sobre reestruturação da dívida, mas declarou não querer eleições agora, defendendo que a atual maioria deve responder pelos resultados da governação.

No encerramento das jornadas parlamentares do PSD, em Santarém, o líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, considerou que atualmente existe "um Governo com pressa de ter eleições e uma oposição que não tem pressa de ter eleições", embora ressalvando que o seu grupo parlamentar "está preparado para todas as eventualidades".

 

Em seguida, o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, reforçou que o seu partido encara o futuro "sem pressa" e defende "a estabilidade", acrescentando: "O atual Governo não tem nenhuma razão para se desculpar com o que vai acontecer. É este Governo o inteiramente responsável pelo que acontecer ao nosso país nos próximos anos".

"E, se discordamos do caminho que este Governo está a seguir, não deixamos de respeitar, evidentemente, a maioria que suporta o Governo no Parlamento. E essa maioria no fim do mandato deverá responder pelos resultados", defendeu.

De acordo com o ex-primeiro-ministro, "ninguém acredita em Portugal que esta maioria dure quatro anos, mas isso não é evidentemente por causa do PSD".

Passos Coelho apontou as recentes declarações sobre a reestruturação da dívida: "O Bloco de Esquerda já avisou que ou há reestruturação de dívida, ou não há acordo para o Orçamento de 2017. Já está a prometer uma crise política em fevereiro a pensar que não pode fazer, como o Syriza fez, a coresponsabilização pela governação".

 

"E o Partido Comunista não perdeu dois segundos, disse: não, não, não é para 2017, é já para 2016, vamos já discutir o assunto, não vá alguém adiantar-se neste resultado. Não sei se o PS acha que isto o ajuda a parecer um partido moderado. Veremos como é que essa negociação avança", completou.

Quanto à posição do PSD, acrescentou: "Não é quando as coisas se complicam à nossa volta que nós deitamos mais achas para a fogueira, que lançamos e semeamos a instabilidade, ou que fazemos as provocações e nos decidimos a deitar pedradas a quem não está de acordo connosco".

"Fiquem a saber: nós não temos medo de pedradas, nem nos deixamos enganar por quem esconde a mão e por quem faz o exercício das sombras, nós sabemos o que se está a passar, opomo-nos ao que se está a passar e continuaremos a dizer aos portugueses que, se não querem o que se está a passar, podem voltar a confiar no PSD", concluiu.