O PSD afirmou-se disponível para debater na comissão permanente da Assembleia da República (AR) a solução anunciada para o Banco Espírito Santo (BES), considerando que esta protege os «interesses» dos depositantes, contribuintes, tecido empresarial e trabalhadores da instituição.

«O PSD defende sempre toda a lógica de transparência da vida pública e este Governo tem garantido permanentemente na sua atuação uma total transparência e permanente disponibilidade para prestar as informações ao país que são indispensáveis», afirmou, esta segunda-feira, o porta-voz do Partido Social Democrata (PSD), Marco António Costa, em conferência de imprensa no Porto.

Embora remetendo para o Governo uma resposta ao pedido feito hoje pelo PS de convocação com «caráter de urgência» da comissão permanente da AR para ouvir a ministra das Finanças, Marco António assegurou que o PSD não colocará «nenhum óbice a que haja essa reunião».

«Terminou um tempo institucional que é o tempo do Banco de Portugal (BdP), porque a entidade legalmente competente para tomar as decisões que foram tomadas e anunciá-las ao país era e é o BdP. A partir daqui abre-se um tempo para o debate político e o Governo tem, obviamente, todo o interesse em prestar todas as explicações e informações no âmbito da comissão permanente da AR», sustentou.

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim de semana depois de o Banco de Portugal (BdP) ter anunciado a sua separação num «banco bom», denominado Novo Banco, e num «banco mau» («bad bank»).

Para o PSD, o debate em torno da solução encontrada «poderá ajudar a manter o clima de confiança e de serenidade por parte de depositantes e de contribuintes que hoje se revela», assim como o «clima positivo» sentido hoje na bolsa, «com ganhos significativos para instituições bancárias nacionais».

Segundo Marco António, a solução encontrada é a que melhor salvaguarda depositantes, contribuintes, empresas e trabalhadores do banco, contribuindo para a «continuação do crescimento económico e da diminuição do desemprego».

De acordo com o porta-voz dos sociais-democratas, a decisão do BdP permite «garantir a proteção e a salvaguarda dos interesses de dois milhões de depositantes e dos 10 milhões de portugueses, nomeadamente daqueles que são contribuintes do erário público», para além de «acautelar a situação de milhares de trabalhadores do antigo BES que, sendo alheios à situação, tinham, objetivamente, receio quanto ao seu futuro».

Adicionalmente, o PSD destaca que a solução «protege as dezenas de milhares de empresários em nome individual, microempresas e pequenas e médias empresas que dependiam do apoio do então BES para o desenvolvimento da sua atividade económica e que agora podem contar com o Novo Banco para continuarem a obter o apoio financeiro necessário à sua atividade».

«Sendo inovadora, a solução encontrada pelo CA do BdP é aquela que evita o recurso a soluções encontradas no passado e que não se revelaram as mais adequadas para o interesse nacional», realçou Marco António.

Relativamente às críticas do Bloco de Esquerda e do PCP de que é falsa a ideia de que não haverá dinheiros públicos canalizados para um banco privado na solução apresentada pelo BdP, o PSD considerou traduzirem o «espírito dramático com que esses partidos gostam de fazer política, numa lógica de assustar e criar dúvidas nos portugueses».

«Todos sabemos que a solução encontrada é a que salvaguarda os interesses dos contribuintes, porque não há dinheiro dos portugueses injetado no banco. É uma solução que responsabiliza todo o sistema bancário e o BdP e o Governo e os partidos políticos com assento parlamentar farão o controlo político desta situação, garantindo a salvaguarda dos interesses dos portugueses», afirmou.