O Bloco de Esquerda quer que o Governo explique os motivos do voto favorável à utilização de fosfatos na salga de bacalhau e as garantias que assegurou para a indústria portuguesa deste setor.

«O Bloco quer saber quais os motivos que levaram o Governo português a votar favoravelmente a introdução do uso de fosfatos no processo de salga do bacalhau, pelo que dirigiu hoje um pedido de esclarecimento ao Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território», refere uma informação divulgada esta sexta-feira.

No documento, o partido «quer que sejam conhecidas as garantias asseguradas para a indústria portuguesa e para o processo tradicional utilizado em Portugal no processamento do bacalhau».

Os deputados daquele partido pretendem conhecer as medidas a avançar pelo Ministério «para minorar os efeitos da sua decisão e do seu recuo, nomeadamente no que se refere à criação de mecanismos que permitam fiscalizar e penalizar os infratores».

Em comunicado divulgado na quinta-feira, o eurodeputado do Partido Socialista (PS) Capoulas Santos lamentou que Portugal tenha votado a favor da introdução de polifosfatos no bacalhau, numa votação que teve lugar na segunda-feira no âmbito do Comité Permanente para a Cadeia Alimentar e de Saúde Animal da União Europeia e que contou com a oposição de França e do mais recente membro da União Europeia, a Croácia.

Na página do grupo parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), um texto datado de 09 de janeiro deste ano referia, em título, que aquela estrutura «reprova a introdução de polifosfatos no bacalhau».

Na quinta-feira, também o secretário-geral da Associação dos Industriais do Bacalhau (AIB), Paulo Mónica, transmitiu as preocupações suscitadas por este procedimento e alertou que a aprovação do uso de polifosfatos e outros químicos no bacalhau pode levar a um aumento de preços daquele peixe.

Para o Bloco de Esquerda, «os fosfatos ameaçam o processo tradicional de salga do bacalhau usado em Portugal, ameaçam a indústria portuguesa e podem acarretar riscos para os consumidores», por isso, «houve uma rejeição generalizada em Portugal à introdução de fosfatos no processamento do bacalhau».

«Também o Governo português se declarou contra a sua introdução obrigando ao adiamento da decisão. No entanto, soube-se agora que o representante português votou a favor da decisão de introdução de fosfatos», refere o Bloco, realçando que a decisão da União Europeia pode traduzir-se «num sério revés para a indústria portuguesa e para o emprego nesta área».