O novo ministro da Economia, António Pires de Lima, 51 anos, chega ao Governo no auge da sua carreira como gestor de empresas, para uma pasta ambicionada pelo CDS-PP desde 2002. O anúncio confirmou as informações das últimas semanas e é a constatação do peso do partido nesta remodelação.

António de Magalhães Pires de Lima nasceu a 7 de abril de 1962, em Lisboa, e tem quatro filhas. Filho do ex-bastonário da Ordem dos Advogados de quem herdou o nome, Pires de Lima licenciou-se em 1984, pela Universidade Católica Portuguesa.

Obteve o grau de mestre em Administração de Empresas pela Universidade de Navarra, em 1986, entrando de seguida no mercado de trabalho, em pleno período de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE). Nesse ano, começou a trabalhar na Albora Corporation como "country manager", até 1987. Entre 1988 e 1992, foi diretor geral da Scott Papel e depois diretor comercial da Tetra Park entre 1992 e 1993.

A sua carreira empresarial inclui a presidência executiva da Compal, da Nutricafés e a vice-presidência executiva da Nutrinveste SGPS.

Chega ao Governo como presidente da comissão executiva da Unicer, que assumiu em junho de 2006, e como presidente do Conselho Nacional do CDS-PP, cargo para o qual foi eleito em 2007.

Amigo de infância de Paulo Portas, com quem andou no mesmo colégio, S. João de Brito, foi com ele que entrou para a política e foi com ele que «subiu» no CDS-PP, partido no qual se filiou em 1992. Foi eleito para o Conselho Nacional em 1996, mas a sua atividade partidária intensificou-se apenas em 1998, quando entrou para a Comissão Política, já com Paulo Portas na liderança do CDS-PP.

Em 1999, foi eleito deputado por Santarém. Como deputado, ocupou-se sobretudo das questões económicas e de orçamento, integrando as comissões parlamentares de Economia, Finanças e Plano, de Equipamento Social, de Ordenamento do Território e de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.

Entrou na Comissão Executiva do CDS-PP em 1999, ficando no órgão mais restrito do partido até 2005. Foi porta-voz entre 2002 e 2005, tendo sido eleito vice-presidente em 2004, numa altura em que o CDS-PP estava no Governo.

Entre a política e a profissão, Pires de Lima deixou sempre claro que a sua prioridade seria a atividade empresarial, uma atitude de independência elogiada por colegas de partido. Foi eleito pela segunda vez deputado nas legislativas de fevereiro de 2005, pelo Porto, e renunciou «com muita pena» em abril de 2007, afirmando que não conseguia conciliar o trabalho com os deveres parlamentares.

Pires de Lima vai suceder a Álvaro Santos Pereira, de quem saiu em defesa por várias vezes desde 2011. Em outubro do ano passado, numa entrevista à RTP1, Pires de Lima dizia que não lhe passava pela cabeça ser convidado para o Governo e elogiava como «bastante meritório» o trabalho de Santos Pereira. No entanto, em março passado, já defendia uma remodelação ministerial que desse «outro peso à economia».