Seja cego, surdo e mudo, o diabo, para a coordeanadora do Bloco de Esquerda, não apareceu por entre as parcelas da execução do orçamento de Estado. Conclui por isso que a Direita "falhou em toda a linha nas previsões e na política".

Não deixa de ser relevante notar como os dados da execução orçamental mostram uma redução do défice grande. Por isso, é possível uma política que recupera rendimentos, em vez de cortes, como prova que o diabo afinal não chegou em setembro", disse a dirigente bloquista no Funchal na cerimónia de abertura do Espaço Paulo Martins, o fundador madeirense da UDP e do BE.

Catarina Martins considerou que "o diabo é sempre e só a austeridade", vincando a palavra que marcou o verão político. Terá sido usada no final de julho, por Pedro Passos Coelho numa reunião da bancada do PSD à porta fechada. Segundo o jornal Público, terá recomendado aos seus correlegionários: "Gozem bem as férias que em setembro vem aí o diabo".

"Meios para investir no país"

Dados revelados esta segunda-feira dão conta que o défice das Administrações Públicas atingiu 3.990 milhões de euros até agosto deste ano. Menos 81 milhões de euros do que o registado no mesmo período de 2015.

Para a líder do BE, estes dados também demonstram "como a direita falha em toda a linha as suas previsões, depois de ter falhado em toda a linha a sua política". Mas revelam "como continua ser um problema para Portugal o investimento, o peso da dívida pública".

Precisamos mesmo de ter outros meios para investir no país", vincou, opinando que "não chega uma pequena recuperação ou controlar as contas públicas", pois é necessário "criar emprego para que todas as pessoas possam ter uma vida digna no país", realçou a dirigente bloquista.

Em linha com o esperado

Para o vice-presidente da bancada comunista, António Filipe, os dados da execução orçamental divulgados esta segunda-feira pelos Ministério das Finanças estão de acordo com as previsões.

Há que assinalar que, em termos de execução orçamental, a situação está, de facto, controlada e dentro daquilo que era previsto", resumiu, embora frisando a necessidade de renegociação da dívida.

Pelos dados revelados pelo Ministério das Finanças, o défice das administrações públicas atingiu 3.990 milhões de euros até agosto deste ano em contas públicas, menos 81 milhões de euros do que o registado no mesmo período de 2015. Houve também uma redução face aos primeiros oito meses do ano passado, "conseguida através de um aumento da receita de 1,3%, superior ao crescimento de apenas 1% da despesa".

Verifica-se que, de facto, tem havido uma evolução da execução orçamental mais favorável do que a do ano anterior. Há um comportamento da execução, em matéria fiscal da parte da receita, em linha com a do ano anterior, mas importa recordar que houve antecipações de reembolsos de IVA e IRC que não se verificaram este ano, caso contrário haveria uma evolução francamente mais favorável", considerou o deputado do PCP.

Renegociar a dívida

Para António Filipe, "o aumento da despesa que se verificou foi ao nível dos juros da dívida compensada por uma insuficiência do investimento público", sendo "um dos problemas com que a economia portuguesa se confronta é com os juros incomportáveis da dívida pública".

Era preferível que houvesse um aumento da despesa por via do investimento público, necessário para a economia e o desenvolvimento. Mas a dívida pública é um garrote e a principal responsável pelo aumento da despesa. Não compromete os objetivos que o Governo assumiu relativamente ao défice, mas é uma situação indesejável e temos vindo sucessivamente a alertar para a necessidade de renegociar a dívida para a economia crescer", afirmou.