Paulo Portas vai ser vice-primeiro-ministro, depois de ter apresentado a demissão do Governo, acabando por negociar um reforço de poder no Governo para o CDS-PP, um partido que, nos últimos anos, se confunde com a sua personalidade. O anúncio foi apenas uma confirmação.

O presidente do CDS-PP assume a coordenação das políticas económicas e do relacionamento com a troika, assim como as orientações para a reforma do Estado, depois de Passos Coelho não ter aceite a sua demissão.

Paulo Portas tem defendido um novo ciclo na governação, em que a Economia se sobreponha às Finanças e que parece estar em linha com a nova orgânica do Executivo. O CDS-PP ganha um novo peso com Pires de Lima e ministro da Economia e Pedro Mota Soares a ganhar o Emprego.

Fluente em quatro línguas estrangeiras - francês, inglês, espanhol e italiano - Paulo Sacadura Cabral Portas, 51 anos em setembro, fez da diplomacia económica o vetor determinante da política construída a partir do Palácio das Necessidades para o mundo, por onde viajou, com um particular empenho no estreitamento de relações económicas com os países da América Latina.

Antes de abandonar estas funções, as relações com a América do Sul foram abaladas pelo incidente com o voo do presidente da Bolívia, Evo Morales, que Portas autorizou a sobrevoar o espaço aéreo português mas não a aterrar em solo nacional, com suspeitas de que o ex-espião da CIA Snowden pudesse estar a bordo.

Desde que voltou à liderança do CDS-PP, Paulo Portas foi reeleito por duas vezes, em 2009 e em 2011, com mais de 95 por cento dos votos e sem qualquer adversário, em eleições diretas.

O processo sobre a compra de dois submarinos pelo Governo de Durão Barroso e Paulo Portas ainda persegue politicamente o líder do CDS-PP que, em debates ou quando questionado sobre o assunto, defendeu sempre a opção que fez e lembrou que, em termos judiciais, nunca foi chamado a qualquer investigação.

Licenciou-se em Direito pela Universidade Católica, e acabou por tornar-se jornalista - uma das opções que lhe apontaram os testes psicotécnicos, além de advogado, político e padre. Portas começa na política na JSD, da qual se afasta com a morte de Francisco Sá Carneiro.

Cinéfilo, foi jornalista nas publicações «Tempo», «A Tarde» e «Semanário», mas é com a fundação de «O Independente» que se liga à história recente da imprensa portuguesa. «O Independente» destacou-se por noticiar escândalos durante Cavaquismo, e por ter introduzido uma irreverência patente na escrita e no grafismo da publicação.