O BE, PCP e PSD acusaram o Governo de ser o responsável pelo corte nas prestações sociais e pelo número de pobres no país, o que levou PSD e CDS a acusarem aqueles partidos de demagogia.

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português levaram, esta terça-feira, para discussão parlamentar dois projetos de lei com os objetivos comuns de alterar as regras de atribuição das prestações sociais.

Sendo a primeira a tomar a palavra, a deputada Catarina Martins, do BE, disse que Portugal é um dos países da Europa que mais cortou nas prestações sociais, apontando que o abono de família, por exemplo, foi cortado a meio milhão de crianças.

«Nunca houve tantas crianças pobres em Portugal», sublinhou.

Apontou, por outro lado que para continuar a haver benefícios fiscais para as SGPS, «tem de haver menos para quem está em situação de pobreza».

Catarina Martins admitiu que o projeto de lei do BE não chega para mudar tudo, «mas é o mínimo».

Já o deputado David Costa, do PCP, apontou que os atuais números da pobreza «são uma vergonha» e uma consequência dos PEC e da troika, acusando o atual Governo de «limpar» as reformas e as prestações sociais, enquanto os partidos da «direita» e o PS são a «guarda de honra».

Em resposta, a deputada social-democrata Joana Barata Lopes disse que os partidos da oposição mostraram «desprezo» pelas medidas implementadas por este Governo, acusando BE, PCP e PS ¿ que apoiou os decretos-lei apresentados ¿ de terem um discurso demagógico e defendeu que «já ninguém acredita que há dinheiro para tudo».

Por outro lado, o deputado do CDS Artur Rego defendeu que as pessoas que estão em situação de pobreza são consequência de anos de má gestão.

«Dizer que o Governo corta nas prestações sociais é um abuso e uma forma de enganar os portugueses porque foi este Governo que criou o PES e que aumentou as pensões mínimas, sociais e rurais», apontou.