O porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Silva, defendeu esta sexta-feira a indigitação do secretário-geral do PS como primeiro-ministro, considerando que é a melhor opção para garantir estabilidade.

"O PAN entende que o senhor Presidente da República deverá indigitar o líder do segundo partido mais votado", afirmou André Silva, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o chefe de Estado.

Considerando que o PS conseguirá formar Governo suportado pelos partidos de esquerda que "serão responsáveis pela estabilidade futura", o porta-voz do PAN disse que no entender do partido essa "é a melhor opção a tomar".

De acordo com a Lusa, André Silva ressalvou, contudo, que tal não significa que o PAN "concorde" com o programa de Governo do PS.

"Mas, o que é mais importante é que exista estabilidade de legislatura", frisou André Silva, que disse ainda que no "momento devido" se irá pronunciar sobre o programa de Governo socialista e que o seu partido atuará depois "medida a medida".

O porta-voz do PAN fez ainda referência ao momento de "crispação profunda entre os blocos de esquerda e os blocos de direita", sublinhando que o seu partido "não se revê na política nem de esquerda, nem de centro direita e quer fazer aprovar e valores que são transversais a toda a sociedade e a todos os movimentos políticos".

O PAN foi o último partido com assento parlamentar a ser ouvido esta sexta-feira pelo Presidente da República, que desde as 09:30 recebeu o PSD, o PS, o BE, o CDS-PP, o PCP e o partido ecologista Os Verdes.

Para já, a Presidência da República não anunciou a marcação de mais audiências.

Desde a semana passada, o Presidente da República recebeu em Belém mais de 20 entidades e personalidades, na sequência da aprovação a 10 de novembro de uma moção de rejeição ao programa do Governo. A aprovação do documento, com o voto de toda a oposição, implicou a demissão do executivo de coligação PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho.

O chefe de Estado começou por ouvir, em nove audiências separadas, as confederações patronais, as associações empresariais e as centrais sindicais. Já esta semana, na quarta-feira, recebeu, em sete audiências separadas, os presidentes dos principais bancos a operar em Portugal e o presidente da Associação Portuguesa de Bancos. Na quinta-feira, seguiram-se sete economistas, além do Governador do Banco de Portugal.

Ao todo foram ouvidas 24 entidades e personalidades pelo Presidente da República.

A audição dos partidos é um passo fundamental para a nomeação do primeiro-ministro. Conforme estabelece o artigo 187º da Constituição, "o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais".