A oposição questionou esta quinta-feira o ministro da Saúde sobre o paradeiro da ministra das Finanças e o futuro do próprio Paulo Macedo naquela pasta e viram o governante e a maioria a defender as medidas adotadas na Saúde.

Na interpelação ao executivo do BE sobre dívida pública e políticas de austeridade, a presidente da Assembleia da República foi mesmo obrigada a intervir, pedindo aos deputados para se concentrarem no tema, a fim de sanar o incidente parlamentar, após protestos de bloquistas, PS e PCP.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, e o deputado do PSD Luís Menezes defenderam o ministro da Saúde e acusaram as bancadas da esquerda de fazerem «um número para o telejornal», argumentando que Macedo respondera a todas as perguntas.

Assunção Esteves afirmou não ter poderes para «controlar o conteúdo das intervenções», mas apelou à «lealdade» entre parlamentares, depois de o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, ter lamentado a transformação do debate numa discussão «setorial sobre Saúde».

Os chefes das bancadas socialista e comunista, respetivamente Carlos Zorrinho e Bernardino Soares, também trataram de «defender a imagem do Parlamento e o bom relacionamento entre o mesmo e o Governo», embora admitindo «alguma latitude, sem que se transforme uma coisa noutra».

«Este Governo está ligado à máquina e, por isso, ninguém melhor quer o ministro da Saúde para vir ao plenário», ironizou Bernardino Soares, enquanto Macedo retribuiu, lamentando só ter ouvido «duas perguntas sobre dívida» e «o resto sobre pastas, ministros ou coligações».

Paulo Macedo afirmou estar «sempre disponível para a Assembleia» e que se encontra, «com muito orgulho, com a pasta da Saúde», acrescentando que «não foi este Governo que meteu o país numa embrulhada» e «está é a tirá-lo da maior embrulhada dos últimos 40 anos».

«Posso assegurar que a dívida pública será inferior a 130 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) e o peso dos juros em 2012, 13 e 14 mantém-se estável, nos 4,4 pontos do PIB. Portugal está a reganhar autonomia e credibilidade financeiras», assegurou depois, por delegação de Macedo, o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues.

Os deputados do BE, PCP e PEV Cecília Honório, Honório Novo e José Luís Ferreira tinham perguntado pela responsável pelas Finanças, Maria Luís Albuquerque, cuja escolha pelo primeiro-ministro para suceder a Vítor Gaspar esteve na base do pedido de demissão do ministro de Estado e Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, aludindo às ligações daquela aos contratos de risco no setor público (swap).

«O que está aqui a fazer, sr. ministro? Como prometido, desejado ou potencial ministro das Finanças? Assistimos a um corrupio de atos de insanidade política. Este Governo é um cadáver político», apontou a deputada bloquista, ao passo que o parlamentar comunista perguntou se Maria Luís Albuquerque estaria ausente «a negociar mais swaps» ou «a fazer as pazes com Paulo Portas ou, pelo contrário, já dispensada, e a arrumar os papéis no Terreiro do Paço».

Macedo defendeu os esforços de «combate à proliferação da fraude no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e reiterada ano após ano», destacando ainda a política do medicamento e os acordos estabelecidos com os médicos.

As medidas governamentais relacionadas com a Saúde foram sendo elogiadas pela maioria PSD/CDS-PP, através da social-democrata Ana Sofia Bettencourt e as centristas Isabel Galriça Neto e Teresa Caeiro.

«O ministro não só proclamou a defesa do SNS como agiu em conformidade, assegurando a sua continuidade. Houve um compromisso claro, em atos, e não apenas em palavras. Fizeram-se reformas para as quais não tinha havido nunca coragem, num momento de grande constrangimento para o país», disse Teresa Caeiro.