O ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso espera que a coligação PSD-CDS/PP e o PS se entendam para a formação do governo, a fim de dar ao país “condições de estabilidade”. O desejo foi expressado esta terça-feira, em Macau.

“Visto que não há uma maioria absoluta na Assembleia da República era importante que a força política que ganhou e a principal força da oposição se entendessem, dando ao país condições de estabilidade e um governo coerente”, defendeu, ao sublinhar que “os partidos têm os seus interesses próprios”, mas que “o país está acima dos partidos”.

Neste sentido, o ex-primeiro-ministro considerou que “se não for possível que o governo tenha uma maioria que haja pelo menos acordos parlamentares que permitam a estabilidade em Portugal”.

“Portugal fez um grande progresso nos últimos anos. Portugal esteve numa crise financeira profunda, voltou a ganhar a confiança dos investidores internacionais, mas nada é irreversível. É importante que agora se consolide a confiança em Portugal e que não haja problemas políticos que venham a gerar outra vez um ciclo de desconfiança. Eu espero que isso venha a acontecer.”


O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, começa a receber os partidos que elegeram deputados à Assembleia da República esta terça-feira, estando agendadas para esta tarde audiências com o PSD, PS, Bloco de Esquerda e CDS-PP. A ronda termina na quarta-feira com os encontros com as delegações do PCP, Partido Ecologista “Os Verdes” e do PAN - Pessoas-Animais-Natureza.

A TVI sabe que o Presidente da República já tomou uma decisão e vai indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro já na próxima quarta-feira.

Durão Barroso, de visita a Macau, onde esta terça-feira lhe foi atribuído o título de professor coordenador honorário do Instituto Politécnico de Macau, não quis, contudo, tecer comentários quando questionado relativamente às eleições presidenciais.

“Não vou agora entrar mais em política partidária portuguesa.”


Sobre o título de professor coordenador honorário do Instituto Politécnico de Macau, que lhe foi atribuído, Durão Barroso diz que tem “um “significado especial”, por ser “o reconhecimento de um contributo”.

“Tem um significado especial, precisamente por ser aqui, em Macau. (…) Tem valor por ser o reconhecimento de um contributo que me orgulho de ter dado para as relações mais estreitas de Portugal e da Europa com Macau e com a China.”


“Como ministro dos Negócios Estrangeiros, como primeiro-ministro [de Portugal] e também como presidente da Comissão Europeia, trabalhei muito pelas relações com Macau. Como ministro dos Negócios Estrangeiros, estive nas negociações para a transição de Macau, depois, como presidente da Comissão Europeia, visitei Macau e apoiei e lancei alguns programas”, disse, citando o exemplo dos programas de formação de tradutores e intérpretes.