A candidata à liderança do CDS-PP Assunção Cristas voltou esta sexta-feira a atacar o que já se conhece do Orçamento de Estado deste ano, comparando-o a um "filme de ficção" e concluindo que "as razões de preocupação têm vindo a crescer".

Cristas falava, no Porto, na quarta sessão da sua volta pelo país, designada "unidos para vencer", para ouvir os militantes e os simpatizantes do partido.

A ex-ministra prometeu aos que foram escutá-la empenhar-se para posicionar o CDS-PP como "uma forte alternativa de centro-direita" em Portugal", uma afirmação recebida com muitas palmas.

A candidata centrou-se depois na atualidade nacional, explicando que decidiu avançar por estar muito apreensiva com o país e que desde que tomou a sua decisão até agora, "infelizmente, as razões de preocupação têm vindo a crescer".

"Ainda não temos orçamento de estado no parlamento, ainda não o conhecemos e no entanto todos os dias há mais uma notícia neste filme de ficção que é o orçamento de estado", considerou.

Assunção Cristas recordou as críticas internas e externas que já foram feitas ao documento. "Em cada dia desta semana encontramos mais um episódio desta telenovela que ainda não estreou e já nos faz temer, e muito, aquilo que serão os seus episódios", continuou.

"Não podemos estar descansados quando olhamos para um primeiro-ministro que foi hoje ao Parlamento falar de outras matérias como se não tivéssemos notícias diárias a atemorizarem-nos, como se não estivéssemos exercícios orçamentais que nos mostram que tudo na despesa está certo, mas tudo na receita está preso por arames", reforçou.

A candidata à liderança dos centristas afirmou que tais exercícios revelam "concessões ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista", mas não mostram como se cria riqueza e se ajuda o investimento.

"Sabemos a resposta que os socialistas dão: que dando rendimento às pessoas, pondo mais dinheiro no bolso das pessoas, a economia vai florescer, mas lamentavelmente essa receita já conhecemos e já percebemos que não tem efeito".

Assunção Cristas disse que "a telenovela que ainda nem sequer estreou e já faz temer pelos capítulos seguintes".
A candidata comentou também a recente eleição presidencial, sustentando que enganaram-se todos os que pensavam que o país tinha virado à esquerda.

"Sabíamos que isso não era verdade e com a eleição inequívoca de Marcelo Rebelo de Sousa ficou provado que não é verdade. Os portugueses, na sua sabedoria, souberam recentrar a política no centro", afirmou.

Acrescentou depois que os centristas estão hoje "libertos da lógica do voto útil".

"Quem não é do CDS não percebe o que é que isto quer dizer, mas os que estão nesta sala sabem o que significa a lógica do voto útil e o que significa no último minuto ver tantos votos, com medo de se perderem, irem para outro lado", argumentou.

Essa pressão desapareceu, em sua opinião, e há "um novo ciclo político".

"Libertos do voto útil seremos capazes de fazer o nosso caminho. Não é contra ninguém, desabituem-se disso. O CDS não precisa de estar sempre a olhar para o lado e de estar medir-se e a comparar-se. O CDS crescerá construindo o seu discurso, não enganando ninguém", assinalou.

O XXVI Congresso do CDS-PP realiza-se a 12 e 13 de março em Gondomar e escolherá o sucessor de Paulo Portas, que se tornou líder em 1998 e desde então só esteve fora da direção do partido dois anos, durante a presidência de José Ribeiro e Castro (2005-2007).

Além de Assunção Cristas, a tendência Direita Social anunciou a intenção de apresentar uma candidatura à liderança.