O primeiro-ministro reconhece que tem manifestamente poucas ministras no seu Governo - são apenas três entre 17 ministros -, numa entrevista em que colocou entre os principais desafios do executivo socialista a promoção da igualdade salarial e a intensificação do combate à violência doméstica.

As ministras em causa são Francisca Van Dunem (ministra da Justiça), Maria Manuel Leitão Marques (Presidência e Modernização Administrativa) e Ana Paula Vitorino (Mar).

Em entrevista, conduzida pela jornalista Maria Elisa, ao jornal digital diário Ação Socialista, o órgão oficial do PS que hoje completou três anos, António Costa foi confrontado com este facto.

Manifestamente são poucas [mulheres], claramente há um desequilíbrio grande que tem a ver com fatores diversos, desde logo de um caminho que se tem de ir fazendo para aumentar o número de mulheres ativamente a participar na vida política".

O chefe de Governo defendeu depois que, nos últimos 20 anos, "desde que António Guterres introduziu a lei da paridade, já se fez um grande caminho".

E agora, nas câmaras, na Assembleia da República, ou no Parlamento Europeu, há uma representação superior a 33 por cento de um dos géneros".

António Costa referiu ainda que o Conselho de Ministros aprovou na passada quinta-feira duas propostas de lei em matéria de paridade: Uma para aumentar de 33 para 40 por cento os níveis de paridade ao nível da representação política, designadamente na Assembleia da República; e outra sobre igualdade de género nos cargos superiores da administração pública.

Ainda neste ponto referente a políticas de género, o primeiro-ministro colocou as questões da "igualdade salarial e da violência doméstica como os dois maiores desafios em matérias de igualdade de género". "A questão da igualdade salarial é particularmente complexa, porque a lei proíbe a desigualdade, mas na prática não é assim. E curiosamente não é assim quanto mais alta é a função profissional e mais qualificadas são as pessoas", observou.

O secretário-geral do PS disse então que está em curso na Assembleia da República uma proposta para corrigir desequilíbrios de ordem salarial, "através de uma obrigatoriedade de dar mais transparência às condições remuneratórias em cada empresa e, por outro lado, com a inversão do ónus da prova sobre as empresas".

São as empresas que terão de provar que a razão pela qual as mulheres ganham menos tem uma justificação em concreto".