O líder da tendência do CDS-PP Alternativa e Responsabilidade defende que as próximas reuniões da Comissão Política e do Conselho Nacional devem decidir a eventual coligação com o PSD e esclarecer se houve «deslealdades» dos sociais-democratas.

«Parece-me que a abordagem da questão de haver uma coligação nas próximas eleições é também uma questão incontornável. Não se pode esperar desta Comissão Política e do Conselho Nacional que se lhe seguirá apenas uma análise do Orçamento», disse à Lusa Filipe Anacoreta.

A Comissão Política do CDS-PP reúne no sábado para analisar o Orçamento do Estado para 2015 e a votação do partido ao documento e marcar uma reunião do Conselho Nacional, o órgão máximo do partido entre congressos.

«Vejo com alguma perplexidade e preocupação várias notícias que dão conta de uma degradação ao nível da coligação. Essas notícias, a confirmarem-se, levantam dúvidas de nós, em conjunto, PSD e CDS, estabelecermos um projeto para o país e que o CDS tenha condições para, convictamente, propor, como seu candidato a primeiro-ministro, o doutor Pedro Passos Coelho», declarou Filipe Anacoreta.

O líder da tendência Alternativa e Responsabilidade (AR) considerou que as reuniões dos órgãos do partido devem esclarecer matérias que têm sido veiculadas na imprensa, de eventuais comportamentos desleais do primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

Filipe Anacoreta disse ter visto «declarações de responsáveis do CDS a acusar de desonestidade política o doutor Passos Coelho».

«Para mim, é totalmente decisivo saber se nós acusamos o nosso parceiro de coligação de deslealdade. Se há deslealdade, naturalmente não vejo como seja possível assumirmos um projeto de coligação e propormos aos portugueses, para primeiro-ministro, uma pessoa que nós acusamos de desonestidade politica», afirmou.

«Se não há desonestidade política, se não há deslealdade, isso deve ser imediatamente afastado, negado de uma forma perentória, coisa que eu não vi ser feita pelo CDS e, então, deve apontar-se o caminho, e é isso também que eu espero do partido, que reforce a possibilidade de haver um caminho conjunto», acrescentou.

Para Filipe Anacoreta, a questão da coligação deve ser debatida imediatamente, porque «já é tarde».

«Sabemos que o PS já tem um candidato a primeiro-ministro», disse.

Quanto à análise do Orçamento do Estado (OE) para 2015, Anacoreta considerou «estranho que o CDS tenha acentuado quase exclusivamente a questão da diminuição da sobretaxa em 1%, tendo deste modo permitido que a discussão fosse centrada nisso».

«Em termos de avaliação política do peso do CDS no Orçamento, tudo se ficou a restringir a uma questão de saber se o CDS conseguia ou não a diminuição da sobretaxa», afirmou, argumentando que o OE tem «medidas bem acolhidas pelo eleitorado» centrista, nomeadamente ao nível das famílias, como o quociente familiar.

Ao centrar-se na questão da sobretaxa, o CDS «acabou por perder espaço político que era importante relevar, reivindicar», apontou o líder do AR.

«Não pode deixar de se notar que é um Orçamento em que a carga fiscal aumenta mais uma vez e que, de alguma forma, todas as questões que foram levantadas ao longo deste tempo de governação sobre a dimensão da despesa fica demonstrado que o esforço que tinha sido reivindicado, até pelo nosso partido, não foi suficiente», disse.