A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou, este sábado, o Governo de «desfaçatez» por o vice-primeiro-ministro ter considerado o Alqueva «a AutoEuropa da agricultura», já que foi o Executivo PSD-CDS-PP que «paralisou» o projeto, que devia ter sido concluído em 2013.

«Confesso que foi sem surpresa que vi Paulo Portas hoje dizer que o Alqueva é a Autoeuropa da agricultura, quando este Governo paralisou a rede secundária do Alqueva, que era para ter ficado pronta até ao final de 2013 e nada», disse Catarina Martins.

«A desfaçatez, como sabem, não tem faltado a este Governo», afirmou a líder do BE, que falava aos jornalistas, em Beja, durante uma visita à maior feira agropecuária do sul do país, a Ovibeja, a decorrer até domingo.

Também em declarações aos jornalistas, durante uma visita este sábado à Ovibeja, o líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, classificou o Alqueva como >«a Autoeuropa da agricultura», que pode transformar a região de «forma extraordinária», referindo que um em cada quatro investidores estrangeiros que procuram Portugal vai para a zona.

A conclusão do projeto Alqueva, inicialmente prevista para 2025, foi revista pelo anterior Governo PS para 2015 e, depois, antecipada para 2013.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assumiu, entretanto, o compromisso do atual Governo concluir as obras do projeto Alqueva em 2015.

De acordo com Catarina Martins, «percebe-se hoje na sociedade portuguesa a importância da agricultura», o que é «extraordinariamente importante», porque é «um recurso importante» para Portugal, mas «precisamos de o fazer com seriedade».

«A agricultura precisa de um Governo que seja capaz de por a grande distribuição no seu lugar, para não esmagar os produtores, precisa de um Governo que ponha o sistema financeiro no seu lugar, para que os agricultores possam ter acesso aos financiamentos e aos seguros de que necessitam», defendeu.

De acordo com Catarina Martins, é preciso «apoiar a agricultura a sério, de apoiar quem trabalha a sério e de ter uma política que realmente possa significar mais produção para Portugal».