O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, perdeu este ano o seu braço direito político, Miguel Relvas, que abandonou o Governo em abril, e o ministro das Finanças Vítor Gaspar, que resignou ao cargo no primeiro dia de julho.

Ao fim de 22 meses e várias polémicas, Miguel Relvas abandonou o Governoa 04 de abril garantindo que saiu por «vontade própria» e por falta de «condições anímicas».

O anúncio foi feito pelo gabinete do primeiro-ministro, com Passos Coelho a enaltecer «a lealdade e a dedicação ao serviço público» de Relvas, elogio que foi devolvido no momento da saída pelo seu até agora braço-direito.

Miguel Relvas foi o «número dois» de Passos Coelho nas suas candidaturas à liderança do PSD, a última das quais vitoriosa, assumindo em seguida o cargo de secretário-geral e porta-voz da direção social-democrata.

Na sequência das legislativas de 05 de junho de 2011, Passos Coelho escolheu Miguel Relvas para ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, responsável pela coordenação política do executivo, pela tutela da comunicação social e pela reforma da Administração Local.

Esta demissão marcou também a primeira saída ao nível ministerial do executivo PSD/CDS-PP, que em julho veria o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, seguir o mesmo trajeto de Relvas, mas numa saída que, ao contrário da primeira, desencadeou uma crise política no Governo.

Numa carta dirigida ao primeiro-ministro, Vítor Gaspar justificou que a urgência da sua demissão era «inadiável» e revelou que a primeira vez que manifestou a vontade de sair do Governo foi em outubro de 2012, depois do primeiro acórdão do Tribunal Constitucional (TC), a 5 de julho, que determinou a inconstitucionalidade da suspensão dos subsídios a funcionários públicos e pensionistas, por violar o princípio da igualdade.

O primeiro-ministro elogiou o «elevado sentido de Estado» com que Gaspar exerceu o cargo agindo «em defesa do interesse nacional», com «total dedicação e lealdade».

Miguel Relvas foi substituído no cargo por dois ministros: Luís Marques Guedes assumiu a pasta da Presidência e Assuntos Parlamentares e Miguel Poiares Maduro entrou para o Governo como ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional.

Já Vítor Gaspar foi substituído internamente, com Maria Luís Albuquerque, até então secretária de Estado do Tesouro, a subir a ministra.

Gaspar foi entretanto nomeado para presidir a uma comissãoque vai fazer recomendações sobre a missão do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, tendo também sido escolhido pela Comissão Europeia para liderar um grupo de especialistas que vai analisar a tributação da economia digital e deverá apresentar conclusões durante o primeiro semestre de 2014.

Miguel Relvas, por seu turno, foi nomeado em agosto Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Brasil, cargo para o qual foi escolhido pelo «conhecimento da realidade dos países de língua portuguesa».