A Assembleia Legislativa da Madeira viveu esta quinta-feira um “momento histórico” com a realização do primeiro debate mensal com o Governo Regional subordinado ao tema do ‘Turismo’ que contou com a presença do chefe do executivo insular, Miguel Albuquerque.

Durante quase quatro décadas, o executivo madeirense liderado por Alberto João Jardim sempre recusou participar em qualquer debate e a responder aos deputados, marcando presença no parlamento apenas para a apresentação dos programas governativos e orçamentos regionais.

Este debate contou com a presença do Secretário Regional da Economia, Turismo e Cultura (SRTC), Eduardo Jesus, o novo chefe do Governo Regional respondeu às perguntas de deputados das diversas bancadas, começando por apontar que a estratégica concertada para este setor se baseia em três variáveis: “requalificação do produto”, “valorização da identidade da Madeira” e uma “promoção eficaz baseada nas novas tecnologias”.

Instado a pronunciar-se sobre as críticas ao subsídio de mobilidade atribuído aos residentes na região nas viagens aéreas, Miguel Albuquerque declarou que este é “um regime experimental”, pelo que, em fevereiro, na próxima avaliação da portaria, as necessárias “retificações serão assumidas”.

O governante salientou também que a aposta promocional da região é sobretudo nos mercados tradicionais [inglês e alemão] que “registam crescimento”, adiantando ser necessário “melhorar o nacional e o francês” e recuperar o escandinavo, tendo o executivo reforçado as verbas nesta área, que passou de 4,2 milhões de euros para oito milhões.

Questionado sobre a vinda de novas companhias aéreas para a Madeira, disse que o executivo insular “vai fazer todo o possível para introduzir mais uma companhia para operar em novembro”, estando também a negociar com a Transavia.

Sobre o facto de alguns operadores marítimos estarem a recusar utilizar o novo cais acostável no Funchal, que custou cerca de 23 milhões de euros, uma obra que foi criticada quando Miguel Albuquerque era presidente da Câmara do Funchal, o líder madeirense afirmou que a região “não está a vender” esta infraestrutura nas ações promocionais.

O presidente do Governo assegurou que “mantém a mesma posição” sobre a infraestrutura, recordando que um estudo científico realizado na altura concluiu que “as questões de segurança só estavam garantidas com uma construção a sul, co prolongamento do molhe da Pontinha [porto do Funchal] em 400 metros”.

Albuquerque complementou que o cancelamento das escalas está relacionado com as obras no cais norte, que deverão estar concluídas no final do ano, defendendo que, no futuro, é preciso “conceber uma obra estratégica para a Madeira, a ampliação da obra da Pontinha”.

Ainda referiu que a responsável da Administração dos Portos da Madeira (APRAM), Alexandra Mendonça, que transitou do anterior executivo regional e se mantém em funções porque “não faz saneamentos políticos”.

Durante mais de duas horas, Miguel Albuquerque ainda falou sobre a precariedade laboral na hotelaria porque “os trabalhadores não são escravos”, o projeto de construção do novo hotel no quarteirão do Savoy que “pode ser alterado e melhorado”, a linha marítima com o território continental que tem cinco interessados, devendo o processo de analise das propostas concluído a 30 de novembro, e os sucessivos adiamentos da operação do avião cargueiro.