Por: Paula Oliveira | 21- 10- 2010 11: 0
Os membros do Governo continuam a contratar adjuntos e consultores para os seus gabinetes - e até a aumentar-lhes o vencimento
- apesar do congelamento de admissões na Função Pública e da redução de contratos e avenças, conforme proposta de Orçamento
do Estado apresentada este sábado, 16 de Outubro, e anteriormente anunciada pelo primeiro-ministro.
Na semana de
apresentação do Orçamento do Estado para 2011, uma pesquisa no «Diário da República» realizada pelo tvi24.pt detectou
a contratação de assessores e adjuntos para um gabinete ministerial e duas secretarias de Estado e um aumento salarial.
Estas contratações são feitas na sua generalidade ao abrigo no decreto-lei nº 262/88, que abre a porta, sem qualquer espécie
de limite, a contratações para os gabinetes ministeriais.
Ainda assim, o Governo pretende reduzir despesas com os gabinetes.
Um dos gabinetes renovados foi o da ministra do Trabalho.
Num despacho publicado a 14 de Outubro em «Diário da República», Helena André nomeou para sua adjunta Margarida Leitão Arenga, que veio substituir «um adjunto que deixou o gabinete e foi para a ACT»,
segundo confirmou ao tvi24.pt fonte do gabinete da ministra. Helena André tem oito adjuntos e assessores no seu gabinete,
indica o Ministério. «Aqui temos cortado em tudo», acrescenta. «A ministra viaja para a Europa em classe económica», refere.
«Em Portugal, também nunca saímos em mais de dois carros» sempre que há visitas em agenda, explica.
No mesmo dia,
o secretário de Estado da Administração Pública (SEAP) contratou para o seu gabinete um assessor
licenciado para trabalhos de «natureza técnico-jurídica por 2400 euros mensais, acrescidos da taxa de IVA em vigor»,
lê-se no despacho publicado em «Diário da República». Gonçalo Castilho dos Santos faz esta contratação ao abrigo do referido
decreto-lei e por um período de quatro meses, renovável automaticamente.
Contactado o gabinete do ministro da sua
tutela, fonte oficial explica a razão deste reforço. «Justifica-se pela aposentação de uma adjunta do Gabinete do SEAP e substituição
por colaborador, remunerado com montante inferior ao da referida adjunta, no quadro do esforço global de redução de despesa
do funcionamento do Gabinete do SEAP», refere.
O tvi24.pt perguntou ao Ministério das Finanças, que tem esta
Secretaria de Estado no seu organograma, o número total de assessores e adjuntos nos gabinetes dos governantes, mas esta
resposta não foi dada. Aliás, a pergunta foi feita a todos os ministérios do Executivo de José Sócrates, tendo apenas
sido obtida a resposta dos colaboradores que se encontram na dependência da ministra do Trabalho - oito assessores e adjuntos.
Por
estes dias em que o Governo anunciou medidas de contenção orçamental do «Orçamento
mais importante dos últimos 25 anos», segundo o ministro Teixeira dos Santos, o recordista de contratações foi o secretário
de Estado do Ambiente. Humberto Rosa fez publicar em «Diário da República» de 11 de Outubro quatro
nomeações, um aumento de ordenado a um adjunto e apenas compensou com uma
exoneração.
Contactado o gabinete da ministra do Ambiente, o tvi24.pt não obteve, até ao momento,
qualquer justificação para estas nomeações nem para o aumento salarial, uma explicação certamente difícil numa altura em que
os salários da Função Pública são alvo de cortes.
Nota - Esta notícia foi corrigida às 16h28. Inicialmente
foi escrito que a Ministra do Trabalho tinha dez assessores e adjuntos no seu gabinete, mas são oito ao todo.
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