O Partido Comunista Português (PCP) criticou, esta segunda-feira, a «venda à pressa e ao desbarato do património e ativos» do Grupo Espírito Santo (GES), referindo exemplos como as «apetecíveis» empresas BES/Saúde e Tranquilidade.

«A situação criada e as evoluções que conduziram à canalização de 4,4 mil milhões de euros para o Novo Banco exige, para já, até ao apuramento real e definitivo, que o Estado use todos os meios ao seu dispor para que sejam impedidas quaisquer alienações ou vendas de ativos integrados no Novo Banco, mas também nas empresas do Grupo Espírito Santo (GES)», declarou Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central comunista.

O dirigente do PCP falava em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, considerando que o «atual processo» em torno do GES e do BES indicia «a reprodução do que aconteceu no BPN, com a venda à pressa e ao desbarato do património e ativos».

No final da semana passada foi divulgado o interesse do grupo norte-americano Apollo em investir cerca de 200 milhões de euros para ficar com a Tranquilidade, que pertencia ao GES e que vai ser vendida pelo Novo Banco.

Para o PCP, é «inadmissível» que o primeiro-ministro, a ministra das Finanças e o governador do Banco de Portugal (BdP) «não assumam as suas responsabilidades políticas» em todas as matérias envolvendo o GES e o BES, tendo Jorge Pires reiterado a necessidade de se avançar com uma comissão parlamentar de inquérito sobre a matéria.

O membro do Comité Central comunista advertiu ainda para a urgência de «respostas claras» do Governo e BdP «quanto ao verdadeiro projeto que têm para o futuro» do Novo Banco.