O Bloco de Esquerda (BE) apresentou um requerimento para ouvir em sede de comissão o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, sobre a situação no Grupo Espírito Santo (GES).

O texto, a que a agência Lusa teve acesso, foi já entregue ao presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Eduardo Cabrita, e nele os bloquistas pedem a vinda «com caráter de urgência» de Carlos Tavares ao parlamento porque as notícias recentes sobre a reestruturação do grupo «merecem esclarecimento e escrutínio».

«Não se pode assistir ao explodir de uma bomba-relógio sem nada se fazer», refere.

A situação no GES «tem levado à intervenção da CMVM por variadas vezes», lembra o BE, advertindo que a última das intervenções proibiu a venda a descoberto das ações do BES e da ESFG, holding financeira que controla o banco.

Também «a forma como a Portugal Telecom decidiu adquirir cerca de 900 milhões de euros de papel comercial» à RioForte, outra holding do GES, mereceu «um pedido de explicações» por parte do regulador, diz o Bloco.

Nesse sentido, e lembrando outros exemplos recentes, o partido pretende que este «carrocel de compras, vendas e empréstimos» e a situação «de obscuridade» dentro de um grupo «que detém um dos maiores bancos portugueses» seja analisada no parlamento.

Na mesma comissão em que foi anunciado pelo líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, o requerimento para ouvir a CMVM, foi decidido adiar pelo menos até sexta-feira a votação do texto do PCP reclamando a presença do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para falar no parlamento sobre o BES.