Os 16 partidos e coligações concorrentes às eleições europeias de maio passado gastaram um total de 4,36 milhões de euros na campanha eleitoral, segundo as contas disponibilizadas esta quinta-feira no site do Tribunal Constitucional.

As forças políticas que elegeram deputados ao Parlamento Europeu apresentaram despesas de 4.228.109 euros, suportadas em cerca de três milhões de euros pela subvenção estatal - PS, Aliança Portugal (PSD/CDS-PP), CDU (PCP/PEV), MPT e BE.

O PS, partido vencedor das europeias de 25 de maio com a eleição de 8 deputados e 31,49 por cento dos votos, gastou 1.629.228 euros na campanha, dos quais 800 mil em «comícios, caravanas e espetáculos», 308.637 em «propaganda, comunicação impressa e digital» e 289.999 euros em «estruturas, cartazes e telas».

O PS contribuiu para esta campanha com 453.179 euros e angariou 7.500 euros, mas a grande parte das despesas foi coberta pela subvenção estatal, de 1.163.047 euros.

À data do fecho das contas, o saldo final da campanha era de 5.500 euros negativos, correspondentes a contas por pagar a fornecedores.

Com 27, 7 por cento dos votos e sete eurodeputados, a coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) recebeu de subvenção estatal 1.040.344 euros.

Nesta campanha, PSD e CDS-PP contribuíram com 318.904 euros e declararam ainda uma cedência de bens a título de empréstimo avaliada em 1.812 euros, totalizando uma receita de 1.361.060 euros.

No mapa das despesas, do mesmo montante das receitas, 1.361.060 euros, verifica-se que a coligação PSD/CDS-PP gastou metade da subvenção em «comícios, espetáculos e caravanas» e 305 mil euros em «propaganda, comunicação impressa e digital».

Os «brindes e outras ofertas» levaram 176.732 euros enquanto as «estruturas, cartazes e telas» apenas 9.833 euros, verificando-se que os partidos da maioria foram os que gastaram menos em cartazes.

A CDU, que elegeu 3 eurodeputados com 12,7 por cento dos votos, apresentou receitas de 787.248 euros, dos quais 550 mil correspondem à subvenção estatal, 207.192 à contribuição dos partidos e 29.842 a angariação de fundos.

Os «custos administrativos e operacionais» consumiram a maior parte das verbas disponíveis, cerca de 254.679 euros, seguidos dos custos com a «propaganda, comunicação impressa e digital» no valor de 238.773 euros.

Com uma despesa total de 787.248 euros, a coligação PCP/PEV gastou 205.735 euros em «estruturas, cartazes e tela» e 88 mil euros em «comícios e caravanas», e não declarou, tal como o Bloco de Esquerda, qualquer montante em «brindes e ofertas» ou em agências de comunicação e estudos de mercado.

Nas contas apresentadas pelo BE, partido que obteve 4,6 por cento dos votos e elegeu apenas Marisa Matias, recebeu 284.994 euros do Estado e contribuiu com 38.163 euros, conseguindo ainda reunir 11.497 euros em angariações de fundos.

O BE declarou ainda um valor de 1.195 euros relativos a cedência de bens a título de empréstimo, somando 335.851 euros nas receitas.

Os «custos administrativos e operacionais» representaram a maior fatia dos gastos, 129.482 euros, enquanto a "propaganda, comunicação impressa digital" custou 39.920 euros, os cartazes e telas 72.532 euros e os «comícios e espetáculos» 92.720 euros, numa despesa total de 335.851 euros.

O Movimento Partido da Terra (MPT), que foi a surpresa das europeias de maio passado, elegeu dois eurodeputados com 7,1 por cento dos votos, recebeu 56.156 euros de subvenção estatal e contribuiu com 58.616 euros para a campanha eleitoral, somando uma receita de 114.772 euros.

De entre os partidos que não elegeram deputados, o LIVRE, de Rui Tavares, apresentou despesas de 15.243 euros, dos quais 9 mil euros em custos administrativos e operacionais, 3600 em propaganda, comunicação impressa e digital e 2500 euros em cartazes e telas.

No mapa das receitas, sem direito a subvenção estatal, o LIVRE conseguiu angariar 11.952 euros, e contribuiu com 1.790 euros para a campanha, somando 13.742 euros, o que resulta num saldo final de 1500 euros de prejuízo, identificado no mapa de balanço como «outros - Rui Tavares».

Já o MAS - Movimento Alternativa Socialista, que obteve apenas 0,38 por cento dos votos, apresentou 38.395 euros de despesas e o PCTP-MRPP com 1,67 dos votos, gastou 7.812 euros na campanha.

Excluindo os que elegeram eurodeputados, os restantes 11 partidos que concorreram às europeias apresentaram gastos de 136.366 mil euros ao todo, na síntese apresentada pela Lusa.