Música e aplausos ouviram-se nesta quarta-feira no funeral de António Almeida Santos, falecido na segunda-feira, e durante o qual marcaram presença muitos políticos de vários quadrantes e cidadãos anónimos.

Após ter estado em câmara ardente na Basílica da Estrela, a urna com os restos mortais do antigo presidente da Assembleia da República e presidente honorário do PS foi aplaudida à saída do templo e à chegada ao cemitério do Alto de São João.

O cortejo fúnebre, encabeçado por batedores da GNR, saiu da Basílica da Estrela por volta das 13:00 e passou pela Assembleia da República e pela sede do Partido Socialista, no Largo do Rato.

À passagem do carro fúnebre em frente à Assembleia da República, muitos deputados foram também para a escadaria aplaudir.

Por vontade de António Almeida Santos não houve cerimónia religiosa e o corpo foi cremado no cemitério do Alto de São João.

Dentro do cemitério ouviu-se ainda música, nomeadamente a “Valsa para o tempo que passou”, de António Portugal, interpretada pelos Alma de Coimbra, e ainda “Ré menor”, da autoria do próprio Almeida Santos, cantado pela associação dos antigos estudantes de Coimbra.

As duas interpretações foram acompanhadas pelos acordes de guitarra.

Foram muitas as personalidades públicas, com destaque para políticos de vários quadrantes, mas também cidadãos anónimos que marcaram presença no funeral do antigo presidente da Assembleia da República. Entre os presentes estiveram os candidatos presidenciais Maria de Belém Roseira, Sampaio da Nóvoa e Cândido Ferreira, que passaram esta manhã na Basílica da Estrela.

Maria de Belém Roseira, que suspendeu todas as ações de campanha até ao funeral de António Almeida Santos, apoiante da sua candidatura desde a primeira hora, salientou, à entrada da Basílica da Estrela, que o presidente honorário do PS “foi um mestre”.

“Fica uma memória muito extraordinária de alguém que foi um mestre de como estar na vida, com verticalidade e coragem, sem demagogias e sempre defendendo aquilo que considerava correto e certo, mesmo que fosse impopular”, frisou.

Por sua vez, o candidato à Presidência da República Cândido Ferreira fez referência à atual “sociedade muito crispada” e salientou que o antigo presidente da Assembleia da República “era uma pessoa “dialogante, capaz de fazer consensos que a sociedade portuguesa precisa para que haja compromissos entre as forças políticas que levem a planos estáveis e duradouros”.

“Se nós conseguirmos discutir os temas da atualidade portuguesa com elevação e se pensarmos no seu exemplo certamente poderemos sair enriquecidos desta morte que nos empobrece”, sustentou.


O candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa afirmou que o presidente honorário do PS “é uma pessoa de grande referência na nossa vida democrática".

“Recordo como um homem com convicções e um homem muito determinado. No meu caso pessoal, nas muitas vezes que o encontrei, foi sempre para me dar um abraço, fosse como reitor, fosse noutras circunstâncias e dizer ‘homem vai em frente, está muito bem, não deixe de se bater por aquilo em que acredita’", referiu.

António Almeida Santos morreu na segunda-feira em sua casa, em Oeiras, com 89 anos, pouco antes da meia-noite, depois de se ter sentido mal após o jantar.

O seu corpo esteve em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, e foi depois cremado no cemitério do Alto de São João, também em Lisboa.

Foram muitos os que passaram pelo templo religioso e se concentraram depois no cemitério, sobretudo políticos, a maioria do PS, mas também representantes de outros partidos e cidadãos anónimos.