O CDS-PP defendeu esta quinta-feira que a decisão de antecipar o reembolso ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma forma de poupar em juros mas sobretudo uma medida de «autonomia política» que antecipa «ainda mais» a liberdade do país.

«A decisão de iniciar os reembolsos do FMI revela uma autonomia política de Portugal enquanto Estado que não seria possível com a troika cá, ainda com o memorando em andamento ou com o nosso país debaixo de resgate», afirmou o deputado e porta-voz do CDS, Filipe Lobo D'Ávila.

No período de declarações políticas no plenário da Assembleia da República, o deputado centrista defendeu que, «para memória futura ficará certamente a diferença, que não é pequena, entre aqueles que causaram o problema e chamaram o FMI e aqueles - esta maioria - que receberam o difícil encargo de apagar o fogo, superar o resgate e estão hoje em condições de iniciar os reembolsos ao FMI».

«Não se trata apenas de poupar em juros, trata-se também de antecipar ainda mais a nossa autonomia e liberdade», declarou.

Para o CDS, 2015 é um ano «de recuperação do rendimento dos portugueses», que começa com «cinco sinais de recuperação», que passam pelas novas tabelas de retenção na fonte do IRS, a «primeira recuperação de rendimentos dos funcionários públicos», o fim da Contribuição Extraordinária de Solidariedade para pensões abaixo do 4600 euros, o aumento do salário mínimo nacional e a redução do IRC.

Nos pedidos de esclarecimento, os partidos da oposição acusaram o CDS de eleitoralismo, com o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, a acusar os centristas de falarem de um «gota de agua quando já esta entornado o copo».

«E não é a gota de água que faz a diferença, é o copo cheio de impostos», argumentou Pedro Filipe Soares.

Pelo PCP, o deputado Paulo Sá argumentou que, apesar do fim do programa de assistência económica e financeira no ano passado, assinalado pelo CDS com um relógio decrescente, «em 2015 as políticas da troika continuam todas» e «a carga fiscal que recai sobre as famílias, os trabalhadores, o povo português, é agravada».

O deputado socialista Rui Paulo Figueiredo afirmou que «qualquer melhoria, ainda que ligeira, de rendimentos dos portugueses, é positiva», acusando, contudo, o CDS de não discutir seriamente por não assumir que muitas medidas que devolveram rendimentos se devem às decisões do Tribunal Constitucional, que «tão diabolizadas foram pelo Governo e pela maioria».